Covid-19

Início da pandemia em Portugal teve origem genética no Norte de Itália

Início da pandemia em Portugal teve origem genética no Norte de Itália

O arranque da pandemia em Portugal foi marcado por uma variante genética com origem no norte de Itália, que deu origem a 3800 infeções no Norte do país.

A informação foi revelada pelo secretário de Estado da Saúde, António Lacerda Sales, esta segunda-feira, na conferência de imprensa sobre a evolução da covid-19 em Portugal, com base nos primeiros resultados do estudo genético que está a ser desenvolvido pelo Instituto Nacional Dr. Ricardo Jorge (INSA).

João Paulo Gomes, coordenador do estudo, acrescentou que esta "variante genética é proveniente da região da Lombardia, terá entrado em Portugal no dia 20 de fevereiro na região Norte/Centro, na zona industrial e se terá disseminado de uma forma não passível de ser detetada pelas autoridades de saúde pública durante dez dias".

Eram já "3800 casos a meio de abril", revelou. Nesta altura, "um em cada quatro casos foram causados por esta variante genética específica", explicou João Paulo Gomes.

Os resultados completos do "Estudo da diversidade genética do novo coronavírus SARS-CoV-2 em Portugal", que já analisou 1785 sequências do genoma do novo coronavírus, serão divulgados dentro de duas a três semanas.

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António Lacerda Sales recordou ainda que começa esta segunda-feira a primeira fase da vacinação contra a gripe, que pela primeira vez se inicia ainda em setembro, para "minimizar a circulação do vírus da gripe sazonal e do SARS-CoV-2". "As 335 mil doses desta primeira fase destinam-se aos profissionais de saúde que prestam serviço ao público, grávidas e idosos residentes em lares", disse o secretário de Estado.

"A pandemia tem-nos ensinado muito sobre união e tem sido através do esforço de todos que temos ultrapassado muitos dos desafios que nos têm sido colocados. Em matéria de vacinação contra a gripe, estamos também todos juntos, em prol do sucesso desta campanha que será o sucesso do país", acrescentou Lacerda Sales. Além dos centros de saúde, este ano as farmácias poderão colaborar e administrar também a vacina contra a gripe.

51 surtos ativos em lares de idosos e 12 em escolas, informou Graça Freitas. Dos surtos nos lares, dez são na região Norte, dois no Centro, 33 em Lisboa e Vale do Tejo, três no Alentejo e três no Algarve. Dos surtos nas escolas, cinco são no Norte, um no Centro e seis em Lisboa e Vale do Tejo. No total, há 78 pessoas implicadas nestes surtos que testaram positivo à covid-19.

Quanto ao número de profissionais de saúde infetados pelo novo coronavírus, António Lacerda Sales revelou que são já 4970: 629 são médicos, 1435 enfermeiros, 1401 assistentes operacionais, 166 assistentes técnicos, 167 técnicos de diagnóstico terapêutico; outros profissionais são 1172. No entanto, há já 4108 recuperados.

Questionado sobre se as autoridades estavam preparadas para uma segunda vaga da epidemia, o secretário de Estado afirmou que é preciso "preparar o pior e esperar o melhor". "Temos estado, de facto, através do nosso plano de outono/inverno a implementar um conjunto de medidas, através da nossa cascata organizacional ao nível regional e ao nível local, quer ao nível dos ACES, quer a nível hospitalar. Também através dos nossos ADR e, agora, vamos também aumentar a nossa capacidade de testagem", afirmou Lacerda Sales. "Este não é um trabalho que começou agora, já vem de trás. Temos vindo a reforçar aquilo que é a nossa resposta ao nível das diferentes instituições", concluiu.

A diretora-geral da Saúde admitiu que existem vários surtos ativos em hospitais, sobretudo originários em casos ativos de profissionais de saúde, mas garantiu que estes estão a ser investigados e acompanhados de perto. "A situação está controlada. Os surtos estão identificados e estamos a observar se existem cadeias de transmissão fora dos estabelecimentos onde foram identificados", afirmou Graça Freitas.

Sobre o Hospital de Santarém, a diretora-geral da Saúde disse que não obteve "nenhuma informação que confirme um surto".

Acerca do ajuntamento de passageiros no aeroporto de Lisboa, no domingo, o secretário de Estado da Saúde disse esperar "que tenha sido uma situação meramente pontual, que não é recomendável do ponto de vista de saúde pública". Lacerda Sales aproveitou para anunciar a entrada "em funcionamento do PLC eletrónico ["Passenger Locator Card", ou cartão de localização do passageiro], através de um projeto-piloto, no próximo dia 2 de outubro", com início oficial a partir de 9 de outubro.

Questionada sobre as vacinas da gripe, Graça Freitas anunciou que já foram entregues 335 mil doses que "são suficientes para vacinar na primeira fase". Em relação à vacinação nos lares, a diretora-geral da Saúde admite que "a logística é mais complexa", pois os centros de saúde terão de se organizar com os lares para vacinar residentes e profissionais. A vacinação da gripe é gratuita para residentes e profissionais destes estabelecimentos.

"A grande medida que temos para o outono/inverno é a vacinação contra a gripe. O grande desafio é distinguir se uma infeção respiratória é ou não causada pelo novo vírus ou se é gripe. É um longo trabalho que nos espera", assinalou Graça Freitas.

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