Processo

Aberto inquérito a professora de inglês que fala sobre religião cristã nas aulas

Aberto inquérito a professora de inglês que fala sobre religião cristã nas aulas

A Inspeção Geral da Educação e Ciência abriu um processo de inquérito a uma professora de Lisboa que leciona conteúdos sobre a religião cristã nas aulas de inglês numa escola pública.

O Ministério da Educação confirmou esta quinta-feira ao JN a abertura de um inquérito, pela Inspeção Geral da Educação e Ciência, a uma docente que leciona nas aulas de inglês conteúdos relacionados com a fé cristã na Escola Secundária Rainha Dona Leonor, em Lisboa.

O inquérito foi aberto na sequência de uma queixa dos pais e encarregados de educação dos alunos de quatro turmas do 7.º ano de escolaridade, a quem a professora leciona inglês - sendo que também é diretora de turma de uma delas e, por isso, docente de Formação Cívica.

No documento, a que o JN teve acesso, é relatado que a professora dá as aulas "com preleção e comentários sobre mandamentos religiosos" e, segundo os exemplos relatados, confronta os alunos com expressões como: "A menina sabe que a fita encarnada que traz na cabeça significa o sangue que Jesus derramou por todos nós?" ou "Façam o favor de conjugar o verbo crucificar no 'Past Simple'".

Os pais entendem que a docente "está evidentemente a prejudicar a transmissão de conhecimentos de inglês e de formação cívica, disciplinas para as quais foi designada como docente". E destacam que não está em causa a sua crença religiosa, mas sim o facto de a Constituição da República Portuguesa afirmar "de forma categórica que o ensino público não será confessional, nem programado de acordo com diretrizes religiosas".

Critica, ameaça e humilha

Mas não é só sobre este aspeto que os pais se queixam. Dizem que "os conteúdos programáticos da disciplina não são lecionados", "as aulas não denotam ter uma prévia preparação que evidencie uma linha de pensamento no discurso" e que não há lugar a "programação, ensino, explicação, esclarecimento de dúvidas".

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Quando os alunos falam sem ser interpelados, são obrigados a fazer trabalhos de casa além dos que são pedidos ao resto da turma. A professora, acusam, "verbaliza críticas e profere ameaças, humilhando os alunos na presença dos restantes colegas".

Os pais dizem ainda que "os alunos vivenciam em cada sala de aula um estado geral de pânico, têm medo de falar, intervir, tossir ou espirrar".

Por várias vezes, alegam, deram conhecimento do caso à Direção do Agrupamento, que, segundo a tutela, está a acompanhar a situação.

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