Covid-19

INSA pretende realizar no início do ano novo inquérito serológico nacional

INSA pretende realizar no início do ano novo inquérito serológico nacional

O Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge (INSA) pretende fazer no início do ano um novo inquérito serológico nacional para conhecer o nível de imunidade da população ao vírus SARS-CoV-2, anunciou esta quinta-feira o epidemiologista Baltazar Nunes.

O inquérito que o INSA realizou em junho revelou uma seroprevalência global de 2,9% de infeção pelo novo coronavírus, que provoca a doença covid-19, na população residente em Portugal.

"Até agora deve ter efetivamente aumentado o número de indivíduos imunes e o valor de 3% que tivemos na altura não seja o real agora", disse Baltazar Nunes na reunião que decorreu hoje de manhã no Infarmed (Lisboa) onde peritos e políticos analisaram as medidas tomadas para combater a covid-19 e a evolução da doença no país.

O novo inquérito serológico nacional deverá arrancar em janeiro ou fevereiro para "ter uma nova perspetiva pré-vacinação de qual será a imunidade da população, e será um ponto relevante a ter em conta", disse o especialista em resposta ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

A questão foi levantada pelo chefe de Estado na sequência de dados apresentados pelo epidemiologista Henrique Barros, do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto, que estimou que cerca de um milhão de pessoas em Portugal já esteve em contacto com o vírus e estarão eventualmente imunes.

"O professor Henrique Barros apontou números na ordem de mais de 10%, entre 10 e 20% de imunizados em Portugal. Há outros estudos nomeadamente um painel serológico nacional que apontam para muito menos, para 4%, 5%, portanto, temos aqui uma dúvida", afirmou.

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Marcelo Rebelo de Sousa considerou ainda que os estudos de Henrique Barros "são muito norte, muito específicos em determinado tipo de população", referindo ser "relevante saber qual o grau de imunidade da população portuguesa".

"Senhor presidente obrigada pelas questões interessantíssimas, mas deixe-me dizer-lhe. Embora isto possa parecer excessivo, costumo ter uma enorme confiança naquilo que fazemos como previsões e desta vez também", respondeu Henrique Barros.

"Nós conseguimos chegar a valores ainda mais precisos introduzindo uma variável simples, que é a sensibilidade e especificidade dos testes", sublinhou o epidemiologista.

"A segunda onda é manifestamente muito superior à primeira" e os dados mostram que "há uma certa constância na relação entre número de casos detetados e número de pessoas que têm evidência imunológica da infeção", sustentou, defendendo ser "fundamental" que o INSA realize "um grande inquérito epidemiológico nacional".

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