Investigação

Insetos "bons" lutam contra a praga do castanheiro

Insetos "bons" lutam contra a praga do castanheiro

Investigadores portugueses estão a usar um inseto parasita para combater a "vespa da galha do castanheiro", uma praga que tem estado a afetar soutos e é uma ameaça à sustentabilidade da produção de castanhas. Esta "luta" já foi realizada em 116 municípios do país e os investigadores propõem-se abranger mais de 25 mil hectares de castanheiros.

José Gomes Laranjo, professor na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) e também presidente da Associação Portuguesa da Castanha - RefCast, lidera uma equipa de investigadores e técnicos que está a implementar no terreno as medidas de que a Ciência dispõe para combater uma nova praga, conhecida como "vespa da galha do castanheiro".

Para combater este flagelo, implementaram no terreno o projeto "BioVespa", que consiste "numa luta biológica que passa pelo uso, em grande escala, de um inseto parasita ('Torymus sinesis') no combate à vespa das galhas ('Dryocosmus kuriplilus')". Esta última, originária da China, tem-se vindo a propagar pelos territórios dos produtores de castanha durante as últimas décadas.

Segundo os números do INE, Portugal produziu em 2020 perto de 42 mil toneladas de castanha, sendo que 85% está localizada em Trás-os-Montes. Desde 2014, porém, uma nova praga, conhecida por "vespa da galha do castanheiro", começou a invadir os soutos, temendo-se, de início, que as perdas na produção pudessem atingir os 80%, o que constituiria uma séria ameaça à sustentabilidade do setor.

A vespa das galhas "deposita os seus ovos nos gomos do castanheiro durante julho e agosto, tornando-se na primavera seguinte visíveis através do aparecimento das galhas, que são pequenos invólucros com as larvas no interior". Este ciclo está agora a ser combatido com a largada dos insetos "bons" nos meses de abril e maio que, ao propagarem o mesmo espaço, vão parasitar as larvas existentes no interior das galhas, travando a formação de novas vespas.

Segundo José Gomes Laranjo, "a luta biológica" do BioVespa "já foi realizada em 116 municípios, situados não apenas em Trás-os-Montes e Douro, mas também nos distritos do Minho, Beiras, Douro Litoral, para além da região da Madeira, estimando-se abranger uma área de castanheiro de mais de 25 mil hectares". Nesta campanha, assinala o investigador, "foi realizado um total de 3183 largadas de parasitóides, sendo que a monitorização que tem vindo a ser efetuada demonstra atualmente que o parasitóide está instalado em todos os municípios abrangidos", restando agora aguardar que as suas populações se multipliquem e cresçam de forma a dominar a vespa.

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