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A igreja de Roma onde os italianos rezam por Fátima

A igreja de Roma onde os italianos rezam por Fátima

Em Santo Spirito in Sassia, às portas da Praça de São Pedro, centenas de italianos rezam todos os dias a Nossa Senhora. Devoção começou com João Paulo II e é mantida por um Monsenhor polaco apaixonado pelas aparições e que nasceu num 13 de maio.

Na noite em que a imagem de Nossa Senhora de Fátima chegou pela primeira vez a Roma, à capela privada do apartamento do Papa, João Paulo II mandou chamar, em segredo, um seminarista polaco. Jozef Bart tinha 20 e poucos anos, estudava no Vaticano e foi a correr para os aposentos do Santo Padre. Ficaram os dois sozinhos diante da imagem, mudos e em oração, até ser de madrugada. A história tem mais de 30 anos. Foi em 1984 e Jozef Bart hoje é Monsenhor e reitor da igreja Santo Spirito in Sassia, às portas da Praça de São Pedro, dedicada ao culto da Divina Misericórdia e onde centenas de italianos rezam todos os dias à Virgem de Fátima.

Jozef Bart nasceu num dia 13 de maio, cresceu numa família católica nos arredores de Katowice e interessou-se desde cedo por Fátima. "Começou quando a minha mãe me contou que no dia do meu aniversário três crianças portuguesas tinham visto Nossa Senhora", recorda. Ficou curioso, pesquisou, aprofundou a mensagem e anos mais tarde decidiu ser padre. Já depois de entrar para o seminário, João Paulo II, então cardeal Wojtyla, insistiu que fosse estudar para Roma. "Acho que ele nunca se esqueceu de mim por causa da data do meu aniversário", acredita o Monsenhor. Também terá sido essa a razão pela qual o Papa se lembrou de o mandar chamar em março de 1984 quando a imagem de Nossa Senhora chegou ao Vaticano. João Paulo II mandara-a ir buscar a Fátima lhe consagrar o mundo.

Imagem ficou perdida num voo da TAP

Também foi o Papa polaco quem o nomeou, anos mais tarde, para tomar conta da igreja de Santo Spirito. No templo, o culto é feito à Divina Misericórdia, mas há um altar lateral reservado a João Paulo II e onde existe uma imagem de Nossa Senhora, igual à da Capelinha das Aparições na Cova da Iria. "Comecei a ir a Fátima desde muito novo, todos os anos e pelo menos uma vez por ano. Fui conhecendo muita gente ligada à cidade e ao Santuário", conta o Monsenhor.

Em 1995, João Paulo II anunciou a intenção de visitar a igreja, por ocasião da Festa da Misericórdia e Bart mandou esculpir uma imagem exatamente igual à do Santuário português para surpreender o Papa. "Encomendei-a a um escultor de Fátima e pedi uma réplica perfeita. Demorou meses a ficar pronta", recorda o reitor. Quando finalmente ficou concluída, quis ir buscá-la pessoalmente, com os fiéis em Roma à espera que regressasse com a "madonna" para poderem começar as celebrações. Só que a imagem perdeu-se no voo da TAP de regresso a Itália. "Só dei conta quando chegámos ao aeroporto de Fuimicino. Ninguém sabia da Nossa Senhora". A pouco tempo da visita do Papa, a celebração do Dia da Misericórdia ameaçava ficar arruinada e, nessa noite, Jozef Bart pediu aos fiéis que se rezassem 13 mil avés-marias para que a Virgem aparecesse. "E, no dia a seguir, apareceu mesmo, intacta, no aeroporto", garante.

Fátima simboliza "a misericórdia de Deus"

Em maio, a imagem é colocada junto ao altar principal e, todos os dias, cerca de uma centena de pessoas rezam o terço e participam numa missa dedicada a Fátima, em cuja homilia o reitor conta o significado de cada uma das Aparições. Esta quarta-feira, falou sobre a segunda aparição e as dificuldades que Lúcia teve em enfrentar os que achavam que estava possuída pelo demónio por ouvir e ver coisas "estranhas" - incluindo a própria mãe ou o padre local. "Mais tarde, nas suas memórias, Lúcia escreve que sentiu dúvidas e medo. Mas nunca desistiu da fé", contou aos cerca de cem fiéis que se juntaram na missa das 18.30 (17.30 horas em Lisboa), acrescentando: "Por estes dias, quem acreditar em Maria com fé encontrará um raio de luz na sua vida. A solução para aquele problema de família, para uma situação existencial, o despontar de uma vocação".

Mais tarde, já na sacristia, o Monsenhor garante que o essencial da mensagem de Fátima é "a misericórdia de Deus, o apelo à conversão e à penitência". E o mundo, avisa, "está longe de estar convertido". Daí a importância da visita do Papa Francisco a Portugal: "Espero que a canonização dos pastorinhos sirva para que a mensagem de Fátima atinja ainda mais pessoas em todo o mundo e toque milhões de corações para que todas as pessoas e todas as nações se convertam".

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