Função Pública

Adesão à greve de 80% com 90% das escolas afetadas, diz FESAP

Adesão à greve de 80% com 90% das escolas afetadas, diz FESAP

A Federação de Sindicatos da Administração Pública (FESAP) disse que a adesão à greve desta sexta-feira da função pública "excedeu as expectativas", rondando 80%, sendo a Educação o setor mais afetado, com 90% das escolas abrangidas.

"A greve é um aviso ao Governo de que os trabalhadores da administração pública estão descontentes", afirmou o dirigente da FESAP, José Abraão, numa conferência de imprensa, em Lisboa, para fazer o balanço da greve convocada pela estrutura sindical e pela Federação Nacional de Educação (FNE).

Segundo o líder da FNE, João Dias da Silva, cerca de 90% das escolas encerraram ou foram parcialmente afetadas, sobretudo devido à adesão dos assistentes operacionais, mas também de docentes.

"Eu arriscaria dizer que eventualmente não haverá nenhuma escola em que não haja algum trabalhador em greve", disse João Dias da Silva.

"Os professores farão outra vez greve se for necessário", caso o Governo não inicie a negociação sobre a recuperação do tempo de serviço, acrescentou o líder da FNE.

Na saúde, registou-se uma adesão "superior a 80%" nos 35 hospitais EPE, havendo situações, como no caso dos hospitais Amadora-Sintra ou de Braga, em que trabalhadores "foram chamados a cumprir serviços mínimos que não tinham de cumprir", adiantou José Abraão.

O líder da FESAP disse que não estão excluídas novas ações de luta com o reforço da "unidade na ação" caso o Governo não dê resposta às reivindicações dos trabalhadores.

"Não excluímos nunca (...) qualquer possibilidade de se reforçar a unidade na ação para exigir aquilo a que temos direito", sublinhou José Abraão.

"Estão sempre em aberto novas formas de luta, juntamo-nos a quem for necessário enquanto sentirmos que temos razão", reforçou o dirigente sindical adiantando que em março a FESAP poderá realizar uma vigília frente à residência oficial do primeiro-ministro, António Costa, como uma forma de "iluminar" o Governo para os problemas do setor.

Por sua vez, o dirigente da FNE salientou o "desgosto" dos trabalhadores face às expetativas criadas, pelo que estes estarão disponíveis para encarar novas ações de protesto "dentro do quadro da estrita legalidade", disse.

A paralisação de hoje começou por ser marcada pela Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública (CGTP), tendo a FESAP e a FNE, filiadas na UGT, marcado depois dois dias de greve, na quinta-feira e hoje.

A última greve nacional da administração pública ocorreu em 26 de outubro e foi convocada pela Frente Comum, pela FESAP e pelo Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado (STE).

Entre os motivos da greve está a atualização da base remuneratória da administração pública para 635,07 euros e a ausência de aumentos salariais para todos os trabalhadores do Estado, bem como a exigência da revisão de carreiras.

Os salários da função pública estão congelados desde 2009.