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Administradores hospitalares dizem que programa "não é claro"

Administradores hospitalares dizem que programa "não é claro"

A Associação de Administradores Hospitalares (AAH) entende que, na área da Saúde, o programa do Governo PSD/CDS-PP entregue na Assembleia da República "não é claro" e é "generalista".

Em declarações à agência Lusa, Pedro Lopes, presidente da AAH, mostrou-se em desacordo com a possibilidade de dar a gestão de hospitais públicos a operadores privados ou do sector social, uma das medidas que constam no programa do Governo.

"Existe no enquadramento público capacidade e gestores com qualidade e com resultados claros na gestão hospitalar. Devíamos melhorar esse processo e não concessionar à privada situações que um sistema público pode resolver", afirmou.

Pedro Lopes sublinha ainda que, "enquanto o Governo socialista tinha uma ideia muito clara de que a gestão das instituições públicas de Saúde era pública, aqui voltamos a um processo que já foi assumido pelos anteriores Governos sociais-democratas que vai no sentido de entregar à privada a gestão das instituições".

Relativamente à fusão, concentração ou extinção de instituições ou serviços que "revelem uma clara sobreposição de capacidades" ou que desenvolvam actividades menos prioritárias, o responsável da AAH considera que devem ser estudados alguns projetos "no sentido de avançar para centralizações".

Pedro Lopes reconhece que "há situações que provavelmente estarão em condições de virem a ser integrados e fundidos", o que "não parece um processo mau".

O Governo vai estudar a possibilidade de dar a gestão de hospitais públicos a operadores privados ou do sector social e quer rever o modelo de comparticipação estatal de medicamentos.

Segundo o programa entregue no Parlamento, o Governo quer ainda reforçar a intervenção dos privados na prestação de cuidados, em particular nos centros de saúde, abrindo a sua gestão a entidades privadas ou sociais - como já tinha sido proposto pelo PSD.

Para aumentar o rigor da gestão nas unidades de Saúde, pretende avançar com a fusão, concentração ou extinção de instituições ou serviços que "revelem uma clara sobreposição de capacidades" ou que desenvolvam actividades menos prioritárias.