Ciência

Prémio Champalimaud para a cura de doença que causa cegueira infantil

Prémio distingue investigação sobre doença ocular genética

Foto Gonçalo Delgado/arquivo Global Imagens

Cientistas norte-americanos e ingleses desenvolveram uma terapia que permite restaurar a visão de crianças com uma doença genética hereditária. Este feito, que abre caminho para o desenvolvimento de terapias genéticas para o tratamento de outras doenças hereditárias, valeu-lhes o Prémio António Champalimaud de Visão 2018.

O prémio é entregue esta terça-feira numa cerimónia em Lisboa com a presença do presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

Os investigadores distinguidos descobriram a primeira terapia genética a conseguir curar a doença Amaurose Congénita de Leber, uma forma de cegueira infantil que afeta a retina (parte do olho que filtra a luz e a cor). Jean Bennett, Albert M. Maguire, Robin Ali, James Bainbridge, Samuel G. Jacobson, William W. Hauswirth desenvolveram uma terapia que só foi possível graças à investigação de Michael Redmond, que começou por descobrir a causa genética. São estes os sete cientistas que vão receber o Prémio António Champalimaud de Visão 2018, no valor de um milhão de euros.

O trabalho destes investigadores baseou-se na descoberta do americano Michael Redmond que clonou o gene RPE65 e demonstrou que este é essencial para converter vitamina A na forma ativa nas células foto-recetoras da retina.

A terapia destes cientistas consiste em repor o gene RPE65 através de um vetor viral - vírus não patogénico com capacidade de transportar o gene - que é injetado na retina.

O Prémio António Champalimaud de Visão é o maior prémio do mundo na área. Foi lançado em 2006 e conta com o apoio do programa "2020 - O direito à Visão", da Organização Mundial de Saúde. É atribuído anualmente de forma alternada: nos anos pares premeia investigação científica clínica e nos anos ímpares projetos na área do tratamento de doenças da visão.