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António Arnaut lamenta "hipoteca da soberania" nacional favorável aos "causadores da crise"

António Arnaut lamenta "hipoteca da soberania" nacional favorável aos "causadores da crise"

O socialista António Arnaut, um dos fundadores do PS, lamentou, sexta-feira, que a ajuda externa a Portugal implique uma "hipoteca parcial da soberania" nacional e venha "favorecer os causadores da crise".

"De alguma maneira, este empréstimo foi feito à custa de uma hipoteca parcial da nossa soberania, como acontece na nossa vida privada", declarou à agência Lusa o antigo ministro dos Assuntos Sociais.

António Arnaut mostrou-se, no entanto, "menos preocupado" após conhecer as medidas anunciadas na quinta-feira, ao abrigo do acordo entre a "troika" internacional e o Governo de José Sócrates, congratulando-se por "não serem tão severas" como as que foram aplicadas à Irlanda e Grécia.

"Se estas medidas fossem aplicadas por um governo neoliberal, seria destruído o que resta do Estado Social, da democracia económica, cultural e social", advertiu, considerando que, por enquanto, não está em causa a herança da revolução do 25 de Abril, designadamente quanto aos direitos e serviços públicos fundamentais.

Com um "governo neoliberal", tais medidas seriam "porventura até agravadas no futuro", tornando-se "mais lesivas do interesse nacional" e "ao serviço dos interesses dos grandes capitalistas".

Na sua opinião, as medidas adoptadas são "restritivas da liberdade" dos portugueses, além de "protegerem fundamentalmente os causadores da crise".

"Muitos portugueses não tiveram culpa nenhuma na crise", disse o fundador do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Deverão antes de mais ser responsabilizados, na sua óptica, "os especuladores financeiros" que agora "nos emprestam dinheiro a juros fixados por eles".

"Então, o Tribunal Penal Internacional (TPI) não devia julgar esses especuladores pelo crime de usura?" questionou.

A ajuda a Portugal "destina-se, sobretudo, a assegurar o pagamento das dívidas dos especuladores financeiros sem alma nem rosto", acusou, ao considerar que "estes vampiros estão agora a sugar o sangue de Portugal".

António Arnaut rejeitou algumas das privatizações previstas, como a da Rede Eléctrica Nacional (REN), tendo em conta que "há nela um interesse estratégico da Pátria".

No caso da Caixa Geral de Depósitos (CGD), entende que, das seguradoras que integram o grupo CGD, "o Governo devia acautelar" a Fidelidade e mantê-la na posse do Estado.

"É do interesse nacional manter uma seguradora como empresa pública", defendeu o antigo ministro do PS, que há uma década foi grão-mestre do Grande Oriente Lusitano - Maçonaria Portuguesa.

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