Defesa

As reações à demissão de Azeredo Lopes

As reações à demissão de Azeredo Lopes

O ministro da Defesa, Azeredo Lopes, demitiu-se esta sexta-feira do Governo para evitar que as Forças Armadas sejam "desgastadas pelo ataque político" e pelas "acusações" de que disse estar a ser alvo por causa do processo de Tancos.

CDS considera demissão inevitável e tardia

Em declarações à agência Lusa, o vice-presidente da bancada centrista João Almeida afirmou que a saída de Azeredo Lopes era inevitável.

"Porque, fomos os primeiros a dizê-lo, a desvalorização do que aconteceu em Tancos feita pelo ministro da Defesa tornou insustentável a sua permanência no Governo, pelo que representava em si, e por ter entrado em contradição com outros membros do Governo que consideravam grave o que tinha acontecido", disse.

Para o deputado centrista, também foi tardia porque "foi fragilizando não só a imagem do ministro", mas "também o prestígio da Forças Armadas", que arrastado "nesta longa agonia" de "entre um assalto [em 2017] que foi desvalorizado, que não se esclareceu" e depois teve "desenvolvimentos ainda mais surreais".

E é também reveladora, nas palavras de João Almeida, porque ainda na quarta-feira o primeiro-ministro, António Costa, disse manter a confiança em Azeredo Lopes, em resposta a uma pergunta da líder do CDS, Assunção Cristas, no debate quinzenal no parlamento, que acusou de "quebrar um consenso relativo às Forças Armadas que existia há 40 anos".

"Quem quebra esse tipo de consenso é quem, num dia, diz que há todas as condições para o ministro se manter em funções e cerca de 48 horas depois esse ministro acaba por se demitir, não por algo que aconteceu entretanto, mas na sequência de um processo que se vinha a arrastar há mais de um ano", concluiu.

Catarina Martins avisa que demissão "não é a única resposta"

"Não há ninguém no país que não perceba a enorme gravidade de todo o caso do roubo de armas de Tancos e de todo o processo, até rocambolesco. Nós sempre dissemos que ele era bastante grave, o Governo parece agora retirar consequências políticas da gravidade deste caso", disse aos jornalistas Catarina Martins, que visitava o Centro de Acolhimento Temporário para Refugiados, em Lisboa, quando foi conhecida a demissão de Azeredo Lopes.

O BE regista "a retirada de consequências políticas", mas a líder do partido fez questão de sublinhar que "há muitas perguntas sem respostas".

"E, portanto, eu julgo que uma demissão não é a única resposta de que precisamos neste caso, é preciso mesmo compreender o que se passou. Há uma investigação em curso e nós esperamos que o país possa ter as respostas que merece sobre um caso que tem toda a gravidade", defendeu.

PEV defende que Governo deve "explicar a razão efetiva" da demissão

"Os Verdes consideram que se Azeredo Lopes entendeu que não tinha mais condições para se manter no cargo é justificada a sua demissão. O Governo deve, contudo, explicar a razão efetiva dessa demissão designadamente tendo em conta que o primeiro-ministro várias vezes reiterou a confiança no ministro da Defesa", lê-se num comunicado enviado às redações após da demissão de Azeredo Lopes.

Sobre a investigação em curso ao furto e recuperação do armamento, "Os Verdes reafirmam a necessidade de o processo judicial decorrer e de se apurarem todas as responsabilidades criminais, agora em segredo de justiça".

Rio diz que demissão de Azeredo Lopes peca por tardia

O presidente do PSD, Rui Rio, disse que a demissão do ministro da Defesa "peca por tardia, porque as Forças Armadas foram sujeitas a um debate púbico negativo durante demasiado tempo".

O líder social-democrata defendeu, aliás, que "se houvesse um pouco mais de sentido de estado, esta situação já estava resolvida há mais tempo", salientando, contudo, que "mais vale tarde do que nunca".

"Considero que à saída do ministro da Defesa, aplica-se aquela frase popular 'mais vale tarde do que nunca', isto sem fazer um juízo de valor, se sabia ou sabia, mas em nome das condições políticas para o desempenho deste cargo", afirmou.

Rui Rio considerou também que a nota emitida pelo gabinete do primeiro-ministro revela que "Azeredo Lopes teve sentido de estado mais cedo do que aparentemente o primeiro-ministro".

O líder do PSD lembrou ainda que no início de setembro já tinha alertado para a situação de Tancos, que parecia esquecida, mas que em nenhuma ocasião pediu a demissão do ministro.

"Eu não peço demissões de ministros, não faço esses números políticos. Aquilo que disse é que se fosse primeiro-ministro, independentemente de ser verdade que Azeredo Lopes conhecia ou não conhecia aquilo que se tinha passado, em nome da dignidade das forças armadas impunha-se que houvesse o sentido de estado suficiente para se perceber que não havia condições para Azeredo Lopes desempenhar o cargo de ministro da Defesa", defendeu.

Rui Rio disse ainda esperar que "não seja verdade que é por razoes táticas do Orçamento do Estado" que Azeredo Lopes se demitiu, sublinhando que é preciso apurar todas as responsabilidades neste caso.