Bloco de Esquerda

BE e CDU estreiam debates televisivos com posições muito próximas

BE e CDU estreiam debates televisivos com posições muito próximas

BE e CDU atacaram, esta terça-feira à noite, a coligação e o PS, cuja política de Direita criticaram a uma só voz. No primeiro debate televisivo da pré-campanha, Catarina Martins e Jerónimo de Sousa concordaram muito mais do que discordaram. "Se os problemas do país fossem as diferenças entre nós, o país estaria bem", disse o comunista.

Os dois líderes partidários insistiram nas críticas ao Partido Socialista, até mais do que no ataque à coligação Portugal à Frente. Apesar da sua matriz de Esquerda, o PS tem assumido políticas de Direita, concordam, pelo que afastam qualquer hipótese de uma coligação que viabilize uma solução governativa com António Costa à cabeça.

"O Partido Socialista, para fazer um Governo de Direita, precisa de partidos da Esquerda? Não", perguntou e respondeu Catarina Martins. Da mesma forma, para Jerónimo de Sousa, o problema não está no posicionamento dos comunistas, mas sim "do lado de lá", ou seja, do lado socialista que, "em minoria ou em maioria absoluta, sempre tomou uma opção: praticar uma política de Direita".

Ainda que excluindo o PS, contudo, ambos assumem estarem disponíveis para formar Governo. "O Bloco de Esquerda está disponível para governar com os votos que os portugueses nos derem", disse Catarina Martins. "Estamos prontos para integrar uma alternativa política", afirmou Jerónimo de Sousa.

A sintonia entre ambos durou todo o debate, mesmo quando se falou do euro. Para Jerónimo de Sousa, a integração na Zona Euro foi "desastrosa para Portugal", pelo que "é impensável não fazer um estudo e preparação" para a saída. E Catarina Martins admite que o Bloco de Esquerda já tem estudos feitos porque, "se for preciso um rompimento coma União Monetária, o país tem de estar preparado".

De resto, ambos concordam com a necessidade de renegociar a dívida pública. "Queremos pagar o que for legítimo", ressalva Jerónimo de Sousa, salientando essa omissão do programa eleitoral socialista. Os dois líderes partidários fazem, também uma leitura desencantada dos números do desemprego. "O Governo tem mascarado o desemprego com abuso", atirou Catarina Martins.

Jerónimo de Sousa reforçou a ideia, perguntando se alguém tem algum familiar que tenha encontrado emprego estável no passado recente. E ambos classificaram de mesquinha e grave a atitude do eurodeputado social-democrata Paulo Rangel, que insinuou que o Partido Socialista nunca permitiria que um antigo primeiro-ministro fosse investigado pelas autoridades judiciárias, numa clara referência a José Sócrates.

Nas habituais declarações finais, Jerónimo de Sousa disse que a CDU não perdeu a esperança em Portugal e Catarina Martins apelou ao voto.

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