Política

"Bombas" de autarcas batem as dos ministros

"Bombas" de autarcas batem as dos ministros

Os autarcas não se fazem rogados quando chega a hora de elegerem os veículos que irão usar durante os mandatos para serem transportados.

São poucos os exemplos de quem mantenha carros com mais de dez anos ou que dê sinais de desprendimento em relação às grandes marcas, apostando em carros pequenos, ligeiros e que respeitem o ambiente. A escolha da maioria dos eleitos locais incide em "bombas", em comparação com a frota dos membros do Governo, onde os elétricos têm vindo a ganhar terreno, começando pelo próprio primeiro-ministro. António Costa tem quatro viaturas elétricas no gabinete, garantindo usar uma delas diariamente.

É uma verdadeira paixão pela alta cilindrada aquela que reina nos maiores executivos camarários, questionados pelo JN sobre o seu parque automóvel. Esta opção tem um custo de dezenas de milhares de euros - a grande parte em alugueres de longa duração, que dão a hipótese de aquisição no fim do contrato.

A maioria dos autarcas opta por carros topo de gama - muitos com cilindradas desportivas de provocar inveja a quem gosta de acelerar. Ovar é o último desses exemplos: o presidente Salvador Malheiro tem agora um Lexus LS 500H, uma aposta luxuosa que custa 2000 euros mensais e já levou a Procuradoria-Geral da República a abrir um inquérito por suspeita de utilização política do veículo municipal.

Aliás, ainda que a Mercedes ou a BMW continuem a ser as mais eleitas, a Lexus (divisão de luxo da Toyota) ganha terreno, sendo a marca escolhida pelos autarcas de Gondomar, Vila Nova de Gaia e Maia.

Por oposição, há depois municípios, como Bragança ou Vinhais, onde os presidentes andam em pequenos utilitários, já com meia dúzia de anos. Em Loures, o comunista Bernardino Soares mantém o Renault Fluence comprado em segunda mão há oito anos.

ministros andam a diesel

No Governo, as exceções são as do ministro do Ambiente, Matos Fernandes, que tem um elétrico cedido pela Nissan, e dos ministros dos Negócios Estrangeiros, Santos Silva, e da Economia, Siza Vieira, que se deslocam em utilitários elétricos alugados. A maior parte dos governantes anda de BMW, com recurso a alugueres de longa duração e todos a diesel, contrariando o discurso de Matos Fernandes, que vaticinou o fim dos veículos a gasóleo a curto prazo.

A ministra Ana Paula Vitorino, com a tutela das políticas do mar, destaca-se por se fazer transportar num Volvo S90 de provocar inveja aos restantes membros do Executivo. Além de se tratar do mais caro, é um carro topo de gama, de 390 cavalos, com a potência de um desportivo.

Já o gabinete da ministra da Justiça é o que fica mais barato ao Executivo. Francisca Van usa um Mercedes, a gasóleo, apreendido pelas autoridades. Ao JN, os ministérios das Finanças, Administração Interna, Infraestruturas e o da Agricultura não indicaram que carros possuem.

Ana Catarina Mendes, secretária-geral-adjunta do PS, e a líder do BE, Catarina Martins, têm em comum a solução governativa e um Seat Alhambra, monovolume de sete lugares. A diferença é que o carro do PS é alugado e o do BE acabou de ser pago.

O líder do PCP, Jerónimo de Sousa, conta com um Toyota Avensis. A centrista Assunção Cristas já pagou um Volvo a diesel. O PEV, além de duas carrinhas e um utilitário, assume ter um Golf a diesel, de 1999 - no centro de Lisboa, onde o partido Os Verdes tem a sua sede, carros desta data já nem podem circular. Fonte do PAN assegurou, ao JN, que os dirigentes ou andam de transportes ou nos próprios carros.

O presidente da República tem dois Mercedes a leasing, sendo que em duas versões que são ofuscadas por autarcas e ministros: um tímido B elétrico e um E220, a diesel. Ferro Rodrigues, presidente do Parlamento, tem alugado um Mercedes E350 híbrido.

A chefe de gabinete da ministra da Justiça anda num BMW 530 D, que veio de uma apreensão da Polícia.