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Carta aberta pede fim de iniciativas que viram população contra profissionais de saúde

Carta aberta pede fim de iniciativas que viram população contra profissionais de saúde

Mais de 120 pessoas assinaram uma carta aberta que pede o reconhecimento dos direitos dos enfermeiros e defende uma discussão centrada no Serviço Nacional de Saúde, e não em iniciativas que viram a população contra os profissionais de saúde.

Na carta, a que a agência Lusa teve acesso e que é assinada por personalidades como a ex-ministra da Saúde Ana Jorge e o ex-diretor-geral da Saúde Constantino Sakellarides, os subscritores defendem um Serviço Nacional de Saúde forte e soberano.

"O Serviço Nacional de Saúde é o garante do direito fundamental da proteção da saúde a todas as pessoas, sem exceção. O SNS deve ser forte e soberano, não funcionando em SOS, atirando para o privado os que têm capacidade de pagar, e do privado para o público quem deixa de ter essa capacidade", escrevem.

Na missiva, que partiu de um grupo de profissionais, mas já foi assinada por mais de 120 pessoas, lembram que o SNS "existe para os cidadãos" e não conseguiria manter-se sem os seus profissionais, que o têm defendido "em todos os períodos difíceis que o país atravessou".

"As profissões que suportam o SNS foram bastante fustigadas durante os anos da troika com a perda de rendimentos, com uma consequente debandada de profissionais para o estrangeiro e com uma excessiva carga de trabalho por falta de recursos", recordam.

A carta aberta surge no dia em que deveria começar uma nova greve convocada pelo Sindicato Democrático dos Enfermeiros (Sindepor) - que foi suspensa até dia 04 -- e defende que é preciso garantir a adequada valorização das competências destes profissionais, a carreira e as progressões, o tratamento igual entre profissionais com diferentes vínculos e a contratação de mais enfermeiros.

"Consideramos ser urgente encontrar soluções que garantam a correção de injustiças relativas e a prevenção de novas injustiças", referem os subscritores.

Dizem igualmente ser "imperativo ir ao encontro das necessidades dos cidadãos e do SNS", recentrando a discussão, sem permitir que se perca em "questões estéreis" que "acentuam a clivagem entre profissões" ou em "iniciativas que viram a população contra os profissionais de saúde".

Os signatários da carta - com o título "Construir mais SNS. Com todos e para todos" e que é subscrita também por personalidades da área da Cultura - dizem ainda que são defensores de "um SNS mais forte e com mais qualidade" e que veem com preocupação a instalação de "um clima que em nada beneficia o SNS, os profissionais ou os utentes".

Na passada quinta-feira, o Governo aprovou em Conselho de Ministros a nova carreira de enfermagem, cuja negociação já levou à realização de duas greves prolongadas e centradas nos blocos operatórios.

No mesmo dia, o Sindepor anunciou a suspensão dos primeiros dias da greve, que deveria ter começado hoje, por ter sido marcada nova reunião de negociação com a tutela para dia 04.