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Caso Freeport: PGR nega "conhecimento prévio" de perguntas

Caso Freeport: PGR nega "conhecimento prévio" de perguntas

O procurador-geral da República (PGR), Pinto Monteiro, desmentiu, em entrevista ao "Expresso" de ontem, sábado, ter tido "qualquer conhecimento prévio" do despacho final do inquérito Freeport. A transcrição, no despacho, de 27 perguntas que ficaram por fazer ao primeiro-ministro e ao ministro Silva Pereira não foi da responsabilidade exclusiva dos  titulares do inquérito, mas negociada com a directora do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), Cândida Almeida, noticiou também o semanário.

Esse inusitado aspecto do despacho de Paes de Faria e Vítor Magalhães foi muito criticado por Pinto Monteiro, na última terça-feira. E, a seguir, surgiu a notícia de que, afinal, até tivera conhecimento prévio dele. O PGR desmente: "A senhora directora do DCIAP informou-me, telefonicamente, de que tinha sido proferido o despacho final e enviou-me cópia no dia em que os despachos foram tornados públicos".

Sobre a actuação de Cândida Almeida, evitou pronunciar-se. "Não comento publicamente as conversas que tenho com a senhora directora", justificou, acrescentando que, "concordando ou não com ela, é uma magistrada de mérito e prestígio".
É graças a Pinto Monteiro que Cândida Almeida se mantém no DCIAP. Porém, pode sair fragilizada da revelação do motivo pelo qual as perguntas para Sócrates e Silva Pereira ficaram no despacho. Em Maio, terá sido avisada pelos titulares do Freeport de que não abdicariam dos depoimentos dos governantes. Mas fixou o prazo final do inquérito em 25 de Julho, oferecendo, como contrapartida para os procuradores deixarem cair as perguntas, que fossem reproduzidas no despacho.   

Também entrevistado pelo "Expresso", o presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, João Palma, disse que há magistrados "impedidos de desenvolver investigações em curso".