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Cavaco não comenta fecho da Linha do Corgo

Cavaco não comenta fecho da Linha do Corgo

O Presidente da República escusou-se a comentar o encerramento da Linha do Corgo, que une Régua e Vila Real, durante uma visita a Chaves.

Cavaco Silva disse que não é da competência do Presidente da República comentar medidas concretas do executivo, porque pode parecer estar a tomar posição em relação aos combates políticos que se travam, e acrescentou ainda que não gosta de abordar assuntos sobre os quais não tem informações suficientes.

Em tom de brincadeira, o Chefe de Estado confessou gostar muito de comboios. No entanto, referiu que a decisão de fechar ou manter linhas deve ser objecto de análise.

"Encerrar ou manter. Também vale a pena fazer uma análise custo-benefício do ponto de vista social. Ver o que custa para as populações encerrar, quais os benefícios que resultam para as populações de manter aberto", frisou.

Cavaco Silva inaugurou esta manhã o Centro Cultural de Chaves, que representou um investimento de cinco milhões de euros e está instalado junto à antiga estação de caminho de ferro de Chaves, onde já terminou a Linha do Corgo.

O troço de ligação de Vila Real ao Alto Tâmega foi suspenso em 1990.

Actualmente a Linha do Corgo liga o Peso da Régua a Vila Real e foi encerrada hoje por motivos de segurança.

Mas, porque foi um dia de festa para a cidade de Chaves, Cavaco Silva quis salientar o investimento feito na cultura, esperando que seja feita uma "boa utilização" do Centro Cultural, dado que, insistiu, o "benefício destes investimentos, como acontece com todos os investimentos, está associado aos utentes, àqueles que utilizam".

Neste espaço está já a funcionar uma escola de música, onde o Chefe de Estado foi brindado com uma actuação de João Mendes, um menino de seis anos que toca xilofone e bateria.

Cavaco Silva recebeu ainda um busto em barro feito por um autodidacta local, Mário Valpaços, que se assumiu como admirador do Presidente da República.

Ao início da manhã, o Chefe de Estado associou-se às comemorações do bicentenário da libertação de Chaves da segunda invasão francesa.

Nas lutas contra as forças napoleónica, Cavaco Silva diz que "a reconquista de Chaves ocupa um lugar de destaque na medida em que foi o princípio da derrota da segunda invasão francesa".

Cavaco Silva aproveitou para aconselhar os portugueses a seguirem o exemplo "dos antepassados na luta contra as adversidades".

"Quando olhamos o passado não pode ser de uma forma nostálgica, mas deve ser acima de tudo como uma inspiração para o futuro, para vencermos os desafios que temos à nossa frente", referiu.

E se, segundo o Presidente da República, "há períodos da nossa história em que nós temos grandes desafios a enfrentar é precisamente agora".

Cavaco lembrou os números do desemprego "a crescerem de forma preocupante", os "dramas pessoais" e as "angústias de pessoas", o "declínios das exportações".

"Nessas ocasiões vale a pena recuarmos um pouco e verificarmos como os nossos antepassadas enfrentaram tempos talvez mais difíceis do que esses", sublinhou.

Por isso mesmo, defender ser necessário "tomar hoje as decisões correctas para que os nossos filhos não tenham eventualmente de suportar hipotecas que sejam demasiado