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Cavaco Silva anuncia eleições legislativas antecipadas a 5 de Junho

Cavaco Silva anuncia eleições legislativas antecipadas a 5 de Junho

O presidente da República anunciou ter aceite a demissão do primeiro-ministro, a dissolução da Assembleia da República e consequente marcação de eleições legislativas antecipadas para 5 de Junho, "num momento crítico da vida nacional". E apelou aos partidos para que a campanha eleitoral seja "sóbria nos meios e esclarecedora nas propostas", pois "este não é o tempo de vender ilusões".

"Decidi aceitar o pedido de demissão apresentado pelo Senhor Primeiro-Ministro, dissolver a Assembleia da República e convocar eleições legislativas para o próximo dia 5 de Junho", disse Cavaco Silva, numa declaração ao país, às 20.30 horas, no Palácio de Belém.

O anúncio foi feito depois de um encontro com o primeiro-ministro demissionário, José Sócrates, que durou 20 minutos e foi antecedido da reunião do Conselho de Estado, que se prolongou cerca de três horas e teve como único ponto de agenda pronunciar-se sobre a dissolução da Assembleia da República.

Os 19 conselheiros de Estado transmitiram ao presidente da República, "por unanimidade", a decisão de dissolver a Assembleia da República, segundo o chefe de Estado.

A data de 5 de Junho foi considerada "a data que melhor permite a todas as forças políticas apresentarem as suas propostas e os seus candidatos de forma esclarecedora para o eleitorado", explicou Cavaco Silva.

"Estas eleições vão decorrer num momento crítico da vida nacional", em que o país "é confrontado, em simultâneo, com uma crise política, com uma crise económica e com uma crise social", frisou. "Considero fundamental, para a salvaguarda do interesse nacional, que as eleições permitam alcançar um compromisso estratégico de médio prazo, que resulte de um alargado consenso político e social", pois, "o próximo Governo tem pela frente uma crise económica e financeira sem precedentes".

Cavaco Silva apelou ainda a uma campanha eleitoral "de verdade e de rigor", "sóbria nos meios e esclarecedora nas propostas". E deixou um apelo: "ninguém deve prometer aquilo que não poderá ser cumprido" dada a situação crítica em que o país se encontra. "Este não é o tempo de vender ilusões".

E na recta final do discurso, Cavaco Silva dirigiu-se aos portugueses: "nunca iludi os portugueses nem lhes escondi a verdade. Hoje, reafirmo o que tenho dito: vivemos em dificuldades e nos próximos tempos iremos continuar a viver numa situação muito difícil, para a qual todos devemos estar preparados".

Também na semana passada, nas audiências aos partidos com assento parlamentar, Cavaco Silva ouviu que a melhor solução após o pedido de demissão de José Sócrates era dar a palavra aos portugueses com a realização de eleições antecipadas.

BE, PCP e "Os Verdes" sugeriram a data de 5 de Junho, assim como o PS. Já o líder do PSD, Pedro Passos Coelho, defendeu a realização de eleições assim que possível, apontando a data de 29 de Maio. O CDS-PP, pela voz de Paulo Portas, não indicou qualquer data, exortando a que o escrutínio ocorra "tão cedo quanto possível".

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