José Sócrates

"Chegou o momento de escolher um Governo com ou sem FMI"

"Chegou o momento de escolher um Governo com ou sem FMI"

No discurso de vitória das eleições para secretário-geral do Partido Socialista (PS), José Sócrates afirmou que este é o momento de os portugueses escolherem "entre um Governo sem FMI ou entre um Governo que já se rendeu à ajuda externa e ao FMI".

Num discurso partidário marcado pelas referências directas aos sociais-democratas, José Sócrates disse não ter dúvidas de que a Oposição "já se rendeu à ajuda externa para Portugal" junto do Fundo Monetário Internacional (FMI).

"Lutarei com todas as minhas forças para que isso não aconteça, pois seria mau, desde logo, para toda a Europa, para a moeda única e para Portugal", acrescentou. "Este é o momento de os portugueses escolherem se querem um Governo com o FMI ou sem o FMI".

O recurso ao FMI significaria também que "ninguém faz nada para combater os especuladores".

Cumprindo a promessa de analisar a última semana política que levou à sua demissão, Sócrates deixou bem claro que "a crise política era evitável" e que "aconteceu no pior momento para o país", sem "dar hipótese ao diálogo e à negociação".

O reeleito secretário-geral do PS justificou-a pela "cobiça pelo poder", pela "sofreguidão do poder", pelo desejo de "poder a todo o custo" revelado por todos os partidos da oposição.

Afirmou ainda que ela resulta de um "egoísmo partidário, de um acto de irresponsabilidade, inconsciência e imaturidade daqueles que colocaram os interesses partidários à frente do interesse nacional". E prometeu: "Nunca viro a cara às dificuldades. Continuarei a lutar por um país com uma economia competitiva e com igualdade de oportunidades. Um Portugal que não deixa ninguém para trás."

"Na última cimeira de dia 11, Portugal tinha conseguido a confiança e a solidariedade de todos os parceiros europeus. A Europa tinha uma estratégia global para responder às questões de financiamento, tinha dado um sinal claro de que apoiaria todos os países que já pediram ajuda externa e tinha colocado uma linha vermelha à frente de Portugal, dizendo que ninguém mais pediria ajuda externa. Foi isso que os partidos da oposição deitaram fora", criticou.

Dirigindo-se directamente ao PSD e ao seu líder, Pedro Passos Coelho, que nos últimos dias aventou a inevitabilidade de mexer na carga fiscal e aumentar o IVA, José Sócrates considerou que o país assistiu a uma "cambalhota polítca".

"Ainda não tinham passado 24 horas sobre o chumbo do PEC e já o PSD dizia que, afinal, a solução para o desequilíbrio orçamental é o aumento de impostos". Acontece que o mesmo PSD, sublinhou, "passou o último ano a dizer que a consolidação orçamental deveria ser feita pelo lado da despesa e não da receita".

Sócrates afirmou que nem é isto que mais o surpreende. "Não é só o aumento de impostos; é falarem em despedimentos na função pública, na eliminação do 13º mês, na privatização da Caixa Geral de Depósitos." E criticou: "Há quem diga que isto não é um programa, é só um conjunto de ideias vagas. Pois eu acho que isto é uma barafunda de propostas em que se ninguém se entende".

E foi mais longe: "O melhor que o principal partido da oposição tem para oferecer aos portugueses não é um programa para tirar o país da crise; é apenas um conjunto de ideias gerais."

Pior do que ideias gerais, continuou, é que se "elas resultam de um exercício ponderado, então o PSD está a demonstrar que tem uma agenda política escondida, cujas medidas não está a revelar por medo das consequências eleitorais".

Decidido a explorar as contradições de Passos Coelho, entre o que afirmou ao país e em Bruxelas, Sócrates insistiu: "Cá, chumabram o PEC; lá fora, foram dizer que não sabem se estas medidas serão suficientes; cá, disseram que não admitiriam a subida de impostos; lá fora, foram dizer que se calhar era necessário subir os impostos; cá, disseram que as nossas medidas eram exageradas; lá fora foram dizer que adoptariam estas e mais. A isto eu chamo total duplicidade."

Ainda num ataque directo ao maior partido da Oposição, Sócrates criticou a revogação da avaliação dos professores em nome "um punhado de votos". E acrescentou: "Esse episódio marcará este período em que vale tudo."

José Sócrates começou o discurso saudando os 29 mil sócios do PS e todos os militantes que contribuiram, nestas eleições, para "dinamizar e dar alegria ao partido".

E, enquanto líder reeleito do PS, Sócrates reafirmou o seu compromisso para "servir o país" e garantiu que nunca irá virar a cara às dificuldades.

Por fim, apelou a um PS "mobilizado" e "empenhado", assim como a "todos os simpatizantes e independentes para que continuem com o PS na defesa da responsabilidade e do interesse nacional".