Incêndios

Choque elétrico em héli provocou morte a piloto em Valongo

Choque elétrico em héli provocou morte a piloto em Valongo

A morte de um piloto durante o combate a um fogo em Valongo deveu-se a um choque elétrico sofrido pelo héli, após o balde com água chocar com uma linha de alta tensão não sinalizada.

A conclusão consta num relatório preliminar do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF), divulgado esta quinta-feira, sobre a morte de Noel Ferreira, um piloto da Força Aérea que estava ao serviço da Afocelca no combate a um fogo em Sobrado (Valongo), há uma semana.

Segundo os investigadores, o piloto tinha conseguido "transpor uma primeira linha de muito alta tensão (400 kv), devidamente sinalizada e composta por 14 condutores, o balde suspenso da aeronave colidiu nos cabos da segunda linha (tensão 220kv), esta posicionada a uma cota inferior e a cerca de 45 metros de distância horizontal da primeira, motivo pela qual dispensa sinalização".

"No momento em que o balde suspenso por um sistema de cabos de aço está em contacto com o condutor mais afastado da linha, o rotor de cauda atinge o cabo de guarda que, por possuir potencial zero, resulta numa descarga elétrica utilizando o helicóptero e seus acessórios como condutor entre os dois cabos", descreve o relatório, salientado que esse impacto "produziu um arco elétrico intenso, coerente com relatos de testemunhas".

Consideraram os investigadores que "a perda de controlo da aeronave foi inevitável", dando-se a "consequente queda abrupta em rotação, percorrendo 66 metros até se imobilizar". Após a queda terá então ocorrido o incêndio que levou à morte de Noel Ferreira.

A aeronave era propriedade da HeliBravo, que estava ao serviço da Afocelca - agrupamento de empresas de celulose que junta a The Navigator e a Altri. Terá sido ativada pelas 15.04 horas, no dia 5 de setembro, para auxiliar no ataque inicial a um fogo que deflagrara na localidade de Sobrado, em Valongo. Mas o voo só começou às 15.10 horas, da base privada de Valongo, que fica a 1,2 milhas náuticas do local do incêndio [cerca de 2,2 quilómetros].

Noel Ferreira transportou uma equipa de cinco bombeiros no héli, que ia equipado com um cesto e um balde. Deixou os operacionais no terreno e fez um primeiro abastecimento num ponto de água, que correu bem.

Num segundo abastecimento e já com o balde cheio, concertou-se com um outro piloto, que o GPIAAF identifica como "conhecedor da existência e localização das linhas aéreas de transporte de energia existentes no local", para se dirigir a um ponto de descarga. Terá sido nesse momento que o balde tocou na linha de alta tensão.

O GPIAAF assume que, entre as várias possíveis causas para o acidente, irá analisar que "medidas de gestão do risco relativamente à colisão de aeronaves de combate a incêndios com linhas aéreas de transporte de energia" estão a ser tomadas.