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Com desmaio pelo meio, "Mov 5.7" declara morte a "longo inverno socialista"

Com desmaio pelo meio, "Mov 5.7" declara morte a "longo inverno socialista"

Junta forças díspares como liberais e conservadores, com social-democratas a assumirem-se como fiel da balança. Esta é a essência do Mov 5.7, com Miguel Morgado e Cecília Meireles entre os seus ideólogos. Saiu este sábado do papel, em Lisboa, entre discursos muito contraditórios e até um desmaio, com a meta de acabar com o "longo inverno socialista".

É de diversidade que se trata o movimento "Nascidos a 5 de julho" (MOV 5.7), mas à Direita e com um alvo a abater: o socialismo.

Apesar de juntar na sua génese sociais-democratas como Pedro Lomba ou Costa Neves, as centristas Ana Rita Bessa ou Cecília Meireles, os "aliados" de Santana Lopes, o presidente do Iniciativa Liberal (IL) e o historiador Rui Ramos, entre outros, o presidente do movimento, Miguel Morgado, defendeu que as diferentes vozes trazem uma "heterogeneidade" desejada numa batalha contra "o socialismo do estatismo, do centrismo e das vanguardas ideológicas, que tentam todo o tipo de engenharias sociais".

"Cada um de nos tem a certeza que Portugal não é só isto. É mais, e pode ser muito mais, que isto: estagnação há 20 anos, um Estado corrompido... O país pode ser mais do que isto", insistiu Miguel Morgado, ex-assessor de Passos Coelho e deputado do PSD, no Espelho de Água, em Belém (Lisboa), onde foi lançado o manifesto do MOV 5.7.

Terapia de choque

"Não somos socialistas. E, por isso, é importante identificar o que rejeitamos. Ajuda-nos a conhecer aprofundadamente o que nós somos", esclareceu o social-democrata, perante uma plateia de cerca de duas centenas de pessoas, a quem explicou que o movimento vem unir e "abrir um espaço de reflexão".

"Foi um bom augúrio estarmos a fazer isto [lançamento do movimento] no primeiro fim de semana de Primavera: sinal de renovação e renascimento. Que seja esta a declaração finalmente do término de um longo inverno socialista", acenou, após duas intervenções muito contraditórias da vice-presidente do CDS, Cecília Meireles, e do líder da IL, Carlos Guimarães Pinto, que em 10 minutos pareceram estar em planetas distintos.

É que acabou por ser a linha conservadora da centrista a apaziguar alguns rostos surpresos com a defesa inicial do dirigente liberal sobre casamento entre pessoas do mesmo sexo ou oportunidades e igualdade para os habitantes dos bairros sociais.

Guimarães Pinto começou por provocar alguns calafrios logo no início: "Pese embora não ser de Esquerda, como liberal tenho algum pejo em afirmar em ser de Direita". O liberal acusou ainda uma certa Direita que "teve o azar em vários momentos cavalgar os cavalos errados", como a homofobia.

Já quando defendia que este movimento surge porque "é preciso romper com essa maneira de pensar de que quase tudo se resume ao Estado cobrador, empregador e gestor", Cecília Meireles acabou por ser interrompida com veemência por um apoiante que lhe pediu que aproveitasse o microfone para pedir um médico na sala - lá fora alguém tinha desmaiado.

Europeias provocam pausa

Sobre as duas primeiras intervenções, Morgado fez questão de frisar as contribuições que cada um dos integrantes deste movimento traz: "Precisamos do vigor reformista dos liberais. Todos os conservadores são bem-vindos - nada como a consciência conservadora para nos mostrar o que são as instituições e que a civilização é uma película fina que tem de ser conservada. Dos democratas-cristãos, de quem precisamos pela ética social que vá além das relações baseadas em vínculos familiares". "E precisamos dos social-democratas, não socialistas", acrescentou no fim, numa clara mensagem para Rui Rio, líder do PSD, sobre quem chegou a equacionar defrontar numas eleições internas, arrancando muitos risos e palmas.

O MOV 5.7 leva o seu nome da data que assinala a formação da Aliança Democrática - a 5 de julho de 1979 - de Sá Carneiro, que juntou o PSD, ao CDS e ao PPM. Segundo Miguel Morgado, a direção é constituída por Margarida Bentes Penedo, Saavedra Pinto, Madalena Lage, Mário Amorim Lopes, Graça Canto Moniz, Eduardo Nogueira Pinto, Carlos Guimarães Pinto e Rui Ramos.

Durante o mês de maio, devido à pré-campanha e à campanha eleitoral para Europeias, o movimento não terá quaisquer atividades públicas. Mas anunciado foi já o lançamento de um livro sobre as várias "direitas" nacionais, que está a ser coordenado por Miguel Morgado e Rui Ramos, que "vai reunir um grupo alargado de pessoas, muitos temas referências da Direita", disse o rosto mais visível do MOV 5.7.