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Combate às infeções hospitalares pode salvar 859 vidas por ano

Combate às infeções hospitalares pode salvar 859 vidas por ano

OCDE alerta para adoção de medidas preventivas. Ex-diretor de programa da DGS diz que "andamos a assobiar para o lado" e que governos só se preocupam quando há surtos.

Todos os anos, as infeções hospitalares matam em média 1158 pessoas em Portugal, mais do dobro do que os acidentes de viação (512 mortos em 2018 no local do acidente). Contudo, a maioria daquelas vidas podem ser salvas se o país implementar um pacote de medidas para prevenir as infeções e combater as resistências das bactérias aos antibióticos. Diz a OCDE que, em Portugal, podem ser evitadas até 859 mortes por ano. Mas é preciso o empenho de todos, o que não estará a acontecer.

"Andamos a assobiar para o lado e o Governo só se preocupa quando há surtos", constata o antigo coordenador nacional do Programa de Prevenção e Controlo de Infeções e de Resistência aos Antimicrobianos (PPCIRA), da Direção-Geral da Saúde (DGS). Paulo André Fernandes lamenta que as pessoas ainda não tenham acordado para este drama e que, a nível político, quando surgem problemas se procure silenciá-los para não haver pânico. "O que se passa neste momento é gravíssimo, há hospitais onde as pessoas já têm medo de ser internadas", refere o médico do Centro Hospitalar Barreiro-Montijo, que deixou a coordenação nacional do PPCIRA no ano passado.