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Coronel admite que guardava Tancos com pelotão reduzido

Coronel admite que guardava Tancos com pelotão reduzido

Inquérito parlamentar Tancos arrancou esta quarta-feira com ex-responsável pela patrulha nos paióis a deixar deputados em nervos. Manuel Esperança disse ter tido um efetivo "mínimo" mas não questionou decisões superiores. Antes optou por apontar incompatibilidades a militares oriundos de bairros sociais.

O coronel Manuel Esperança, ex-comandante do Regimento 15 do Exército, que teve responsabilidades no patrulhamento dos paióis nacionais de Tancos (PNT) de 2013 a 2016, admitiu, esta quarta-feira, no Parlamento, que o número de militares usados para a guarda daquela área "era o mínimo" aceitável.

Sem nunca colocar em causa as opções da hierarquia militar, o oficial revelou que as condições no terreno também não eram "as que gostaria de ter", como a falta de vigilância eletrónica, e até sugeriu qual pode ter sido umas das razões para o assalto ao armamento: o facto de o Exército estar a ir buscar gente aos bairros sociais, que depois contacta com material sensível, como armamento.

Porém, esta que foi a primeira audição da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) ao furto de armas em Tancos, ocorrido em junho de 2017, traduziu-se em muito pouca substância para o grau de complexidade das perguntas que os deputados de todas as forças políticas colocaram a Manuel Esperança.

O coronel - que foi chamado pelo PS e já estava na reserva à altura do roubo aos PNT - fez jus ao seu passado como espião do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED) e contornou sempre as questões que o levassem a revelar eventuais relatórios de patrulhamento aos superiores, falhas que tivessem ocorrido nos três anos que comandou uma das unidades de Tancos ou até a avaliar o comportamento de quem o sucedeu.

Segundo o oficial, havia, e continua a existir, "oito militares que atuam como duas quadras" no patrulhamento de Tancos, que incluía duas torres. "Considerando a dimensão das instalações e o grau de ameaça, poderia não ser desejável, mas era o mínimo e estava dentro dos padrões", disse, admitindo, ainda assim, que no terreno, as condições não eram as melhores, como "os meios de segurança eletrónica", problemas na vedação e mato em torno dos PNT.

O comportamento de Esperança exasperou os parlamentares do PSD, BE, CDS e PCP, que o confrontaram com os números do relatório do Ministério da Defesa sobre Tancos, que refere uma redução de 75% do efetivo entre 2007 e 2017.

O oficial divergiu e apontou ao fim do Serviço Militar Obrigatório responsabilidades pelo pequeno efetivo do Exército e questionou as condições dadas aos militares e a sua forma de recrutamento: "Será que ao colocarmos indivíduos de forças especiais num regime de apenas seis anos, em contacto com material sensível, não temos de ter outra atenção e tratá-los de outra forma?".

E arranjou uma tese para o eventual motivo de quem possa ter colaborado no assalto, como foi o caso de um antigo fuzileiro: "Se queremos homens para ir para o Afeganistão ou República Centro Africana não os vamos buscar à Ericeira, se calhar vamos a bairros problemáticos, com contactos com realidades que não são as melhores".