Parlamento

Costa acusa EDP de "manhas" e de "hostilidade" ao Governo

Costa acusa EDP de "manhas" e de "hostilidade" ao Governo

O primeiro-ministro apontou, esta quinta-feira, "manhas" à EDP, na forma como este operador energético funciona no mercado. E acusou os reguladores do setor de dar cobertura à atuação da multinacional portuguesa, que considera ser "hostil" ao Governo.

No Parlamento, António Costa disparou em vários sentidos: operadores energéticos, reguladores e até ao próprio quadro regulatório. Em resposta à deputada de Os Verdes, Heloísa Apolónia, sublinhou, até por "experiência" como presidente da Câmara de Lisboa, que tem "conhecimento como certos operadores, designadamente a EDP, têm várias manhas para conseguirem contornar muitas vezes" as regras contratuais e regulatórias.

Num debate em que foi por diversas vezes confrontado com as rendas energéticas, o primeiro-ministro garantiu não ter "a menor das dúvidas que temos de melhorar o quadro regulatório e o contratual", sempre com objetivo de que "famílias, empresas e estado paguem menos do que têm pago".

Dando exemplo de que, de cada vez que o Governo tenta apertar a malha à atuação desregulada das empresas energéticas estas conseguem contornar as regras, como foi o caso da legislação sobre os contadores, Costa foi claro para Heloísa Apolónia, quando o questionou se o Executivo do PS iria manter "a vergonha nacional das rendas energéticas".

"Se há coisa que lhe posso assegurar é que não contará com nenhuma boa vontade [do Governo]. Temos uma constituição, temos uma lei, um quadro contratual, e as coisas têm de ser feitas [de acordo] com isso", explicou.

Já antes, quando o líder do PCP, Jerónimo de Sousa, questionou porque "ainda ninguém foi capaz de explicar é porque é que têm de ser os consumidores a suportar esses milhões de lucros da energia", Costa disse que a "EDP tem posição hostil ao Governo".

Segundo o chefe do Governo, os contratos estabelecidos com as empresas energéticas serão renegociados assim que "o esgotamento do tempo" de tais acordos estabelecidos no passado dite essa possibilidade. E admitiu que a "EDP passou de uma posição dócil para uma posição hostil ao Governo".

Porém, o primeiro-ministro revelou também insatisfação com o atual quadro regulatório do setor energético. Ainda que garantindo à coordenadora do BE, Catarina Martins, que pediu uma resposta para o elevado custo da energia nacional, que o aumento da tarifa da eletricidade foi o mais baixo, em 2016.

ver mais vídeos