Unesco

Crianças refugiadas e migrantes em idade escolar cresceram 26%

Crianças refugiadas e migrantes em idade escolar cresceram 26%

O relatório da Unesco, organização das Nações Unidas para a Educação Ciência e Cultura, divulgado esta terça-feira, alerta para o impacto das falhas na educação na nova leva de refugiados e imigrantes, numa altura em que se calcula que existam 763 milhões de pessoas a viverem fora da região onde nasceram; em que o número de crianças migrantes e refugiadas em idade escolar cresceu 26% desde 2000; e em que globalmente o total de menores desacompanhados cresceu cinco vezes.

Os 66 mil estimados em 2010/2011, passaram a 300 mil em 2015/2016. Mais ainda: cerca de 73% dos 86 mil jovens que chegaram a Itália entre 2011 e 2016 estavam sozinhos, sem família e a grande maioria pertencia ao sexo masculino. Dos que chegaram em 2016, 92% eram rapazes e 82% tinham 16 e 17 anos

"Se se priva as pessoas de educação, o resultado pode ser a marginalização e a frustração", comenta Helen Clarck, presidente do conselho consultivo do documento "Migração deslocação e educação, construindo pontes e não muros", o primeiro estudo aprofundado dedicado a esta temática.

Alguns dos números que compõem o retrato: em dois anos, desde a declaração de Nova Iorque para Refugiados e Migrantes 2016, os refugiados perderam 1,5 milhões dias na escola; nos países de destino de migrantes, em 2017, 18% das pessoas de 18/24 anos nascidas no estrangeiro abandonaram rapidamente a escola; nos Estados Unidos, 40% dos imigrantes mexicanos que chegaram à idade dos sete anos não terminaram a escola secundária, em comparação com os 70% dos que chegaram aos 14 anos.

A alfabetização dos imigrantes e refugiados é um dos desafios. Um inquérito efetuado em 2016 na Alemanha mostrou que 15% destes eram analfabetos, 34% sabiam um alfabeto latino e 51% dominavam outro sistema de escrita. O documento, que é atravessado pelo apelo à integração, sublinha que a alfabetização pode fazer com que os refugiados se sintam bem acolhidos e promover um sentimento de pertença.

O tratamento dos imigrantes nas escolas tem sido desigual. No Reino Unido, por exemplo, é comum os imigrantes frequentarem as escolas das classes mais desfavorecidas. Em países como na Alemanha, os alunos de origem imigrante têm tendência a ser encaminhados para a formação profissional. Na Holanda, há cinco vezes mais estudantes de ascendência marroquina no ensino profissional.

A UNESCO exorta os Governos a tratar os imigrantes de forma igual aos locais e defende a necessidade de um maior apoio aos professores para poderem cumprir a tarefa da integração.