Polémica

Cronologia: Do furto em Tancos à demissão de Azeredo Lopes

Cronologia: Do furto em Tancos à demissão de Azeredo Lopes

Recorde o que aconteceu entre o furto de armas dos Paióis Nacionais de Tancos, em junho de 2017, e a demissão, esta sexta-feira, o ministro da Defesa, Azeredo Lopes.

DIA 28

Furtado material de guerra dos paióis de Tancos. No dia seguinte, Azeredo Lopes admite que a situação é grave: "Não foi roubada uma pistola, não foram roubadas duas, foram roubadas granadas", disse.

DIA 1

O Chefe de Estado-Maior do Exército, Rovisco Duarte, exonera cinco comandantes. Seriam readmitidos após duas semanas. No dia seguinte, o jornal "El Español" revela lista do material furtado.

DIA 4

Em Tancos, o presidente da República exige apuramento de "tudo, de alto a baixo, até ao fim, doa a quem doer". O Ministério Público abre um inquérito e a investigação é entregue à PJ, com a colaboração da PJM.

DIA 8

Primeira demissão no caso: o tenente-general Antunes Calçada, comandante de Pessoal do Exército, bate com a porta em divergência com Rovisco Duarte.

DIA 27

O Serviço de Informações de Segurança (SIS) assume ter sabido do furto pela Comunicação Social.

DIA 4

Presidente da República declara-se preocupado com demora no inquérito. "Estou atento, acompanho o que se passa, e preocupa-me o tempo", afirmou.

DIA 10

Ministro da Defesa diz que "no limite, pode não ter havido furto nenhum." Em uníssono, PCP, Bloco de Esquerda, PSD e CDS exigiram esclarecimentos. Os partidos da Direita pedem a demissão de Azeredo Lopes.

DIA 18

PJM anuncia a recuperação, na Chamusca, do material de guerra desaparecido, com a colaboração da GNR de Loulé. São recuperadas armas que não constavam da lista do material furtado - Exército justifica com falhas no inventário. Esta operação terá sido uma encenação para ilibar os autores do furto, à margem do MP.

O general António Martins Pereira, chefe de gabinete de Azeredo Lopes, terá recebido um dossiê sobre a encenação da recuperação das armas. Quem o assegura é Vasco Brazão, o major da PJM que viria a ser detido na operação Húbris.

DIA 4

O Exército pune quatro militares, incluindo um sargento que não mandou fazer rondas, a quem foi aplicada a pena de proibição de saída durante 15 dias.

DIA 10

Martins Pereira foi substituído por Maria João Mendes na chefia do gabinete de Azeredo Lopes.

DIA 11

PJ começa a vigiar os elementos da PJM e da GNR de Loulé que participaram na operação encenada de recuperação das armas.

DIA 21

Com quase um mês de atraso, o Ministério da Defesa entregou ao Parlamento um relatório que assume duas décadas de falhas na segurança das instalações de Tancos.

"A memória não prescreve", dispara Marcelo Rebelo de Sousa.

DIA 13

Ao contrário do garantido pelo Exército e pela Defesa, nem todo o material roubado foi devolvido, diz o Ministério Público.

DIA 31

No Parlamento, o Chefe do Estado-Maior do Exército recusou entregar a lista de material recuperado, por estar em segredo de justiça.

DIA 12

Após mais uma audição ao ministro da Defesa, o CDS mantém pedido de inquérito parlamentar, enquanto o PSD admite chamar António Costa ao Parlamento.

DIA 25

Operação Húbris. A Polícia Judiciária lançou a operação que deteve o ex-líder da PJM e outros três elementos desta polícia, três elementos do Núcleo de Investigação Criminal da GNR e um civil, ex-militar suspeito de ter participado no furto. No mesmo dia, o CDS anuncia a proposta de comissão parlamentar de inquérito. Nos dias seguintes, o apoio do PSD e do PS garantiriam a sua viabilização.

DIA 2

O ex-porta voz da PJM, major Vasco Brazão, regressa a Portugal sob escolta e é detido à chegada ao aeroporto. Interrogado, ficou em prisão domiciliária, mas sem vigilância eletrónica.

Dia 4

O major Vasco Brazão diz que o ministro foi informado de que tudo não passava de uma encenação, cerca de mês e meio depois da recuperação do armamento, e que foi entregue um memorando ao seu ex-chefe de gabinete, o general Martins Pereira. Azeredo Lopes desmentiu categoricamente ter sido informado.

Dia 8

António Costa rejeita saída do ministro da Defesa. Recusa que a sua manutenção seja um "problema para o Governo" e classifica-o como um "ativo importante". Major Vasco Brazão pede para ser novamente ouvido pelo juiz, para entregar documentação relevante.

Dia 10

"Um dia todos haveremos de saber o que é que cada um de nós sabia desta história de Tancos". A frase é de António Costa e marcou o debate quinzenal no Parlamento. Acusou a Direita de partidarizar as questões militares e insistiu que o ministro da Defesa não tinha conhecimento da operação de encobrimento do roubo de Tancos. O ex-chefe de gabinete de Azeredo Lopes reconheceu também neste dia ter recebido o "memorando verdadeiro", que enviou entretanto para o MP.

Dia 11

Marco António Costa, deputado do PSD que preside à Comissão de Defesa Nacional, informou que foi recebida informação enviada pelo MP sobre o armamento roubado em Tancos. Trata-se de informação ainda em segredo de justiça e foi fechada num cofre do Parlamento.

Dia 12

Azeredo Lopes demite-se para evitar que as Forças Armadas sejam "desgastadas pelo ataque político e pelas acusações" de que diz estar a ser alvo.