Ordem

Cruz, Ritto e Vara. Os condecorados que perderam o estado de graça

Cruz, Ritto e Vara. Os condecorados que perderam o estado de graça

Numa altura em que se propõe um processo disciplinar para retirar as condecorações recebidas pelo empresário Joe Berardo e em que o presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, não se opõe a que estas sejam revistas, recordam-se três outros casos em que os premiados perderam o estado de graça.

Em janeiro de 2015, o antigo apresentador de televisão Carlos Cruz e o embaixador Jorge Ritto perderam oficialmente as condecorações que lhes tinham sido impostas, por terem sido condenados por crimes puníveis com pena de prisão superior a três anos. Cruz e Ritto foram irradiados da Ordem do Infante D. Henrique.

Carlos Cruz foi condecorado em 2000, por Jorge Sampaio, com o grau de Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique, pelo trabalho desenvolvido na Comissão do Euro 2004. Em 1991, Ritto recebeu, de Mário Soares, o Grande Colar da mesma ordem pelos serviços prestados ao país como embaixador em vários países.

Em março deste ano, o Conselho das Ordens Nacionais retirou a Ordem do Infante D. Henrique a Armando Vara na sequência da condenação a cinco anos de prisão efetiva por crimes de tráfico de influência, no âmbito do processo Face Oculta. A decisão consta de um despacho publicado em Diário da República assinado pelo secretário-geral das Ordens, Arnaldo Pereira Coutinho.

Armando Vara foi condenado em setembro de 2014 pelo Tribunal de Aveiro a cinco anos de prisão efetiva, por três crimes de tráfico de influências, encontrando-se preso no Estabelecimento Prisional de Évora.

Esta quarta-feira, o presidente da República disse não se opor a que sejam revistas as condecorações recebidas por Joe Berardo. Porém, Marcelo Rebelo de Sousa não vai interferir num processo que será desencadeado, nos próximos dias, pelo Conselho das Ordens Nacionais.

Segundo o JN apurou, o Conselho das Ordens Nacionais vai reunir-se, nos próximos dias, para analisar como deverá proceder em relação às condecorações de Joe Berardo, na sequência da sua audição parlamentar.

Joe Berardo foi condecorado, pela primeira vez, a 13 de março de 1985, com a grau de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique. Na altura, era chefe de Estado Ramalho Eanes. A 4 de outubro de 2004, pelas mãos de Jorge Sampaio, recebeu o grau de Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique.