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Conquista de Abril não é "obra perfeita e acabada"

Conquista de Abril não é "obra perfeita e acabada"

"Não vemos estes 45 anos como obra perfeita e acabada. Longe disso, desejamos muito mais e melhor", defendeu esta quinta-feira o Presidente da República, na sessão solene do 25 de Abril, no Parlamento.

Já depois de Ferro Rodrigues ter dado por encerrada a sessão, deputados do PS cantaram "Grândola Vila Morena". Punho direito erguido, levantando os cravos vermelhos. Depois de saírem Emídio de Guerreiro, do PSD, entoou canções de intervenção para um grupo de deputados social-democratas e para o presidente do partido, Rui Rio.

As bancadas aproveitaram os discursos do 25 de abril para fazer balanços. O BE foi o único a criticar Marcelo Rebelo de Sousa pela "pressão" contra o fim das parcerias publico-privadas na Saúde. A Direita insurgiu-se contra os "compadrios" económicos e políticos.

"A política de casos é a arma dos fracos, daqueles que não têm ideias nem alternativas. Não resolve os desafios estruturais do país nem os problemas concretos das pessoas. Só serve para minar a democracia e envenenar a vida pública", afirmou Ferro Rodrigues. O presidente da Assembleia da República alertou que o populismo é a "nova veste da extrema Direita". "Convém não normalizar aquilo que não é normalizável". "É aí que está a origem do atual desencanto democrático e do galope abstencionista", frisou, arrancando aplausos até a deputados da Direita.

Na mesma linha, Marcelo esclareceu o que desejam os jovens eleitores de 2019: respostas claras e inequívocas a algumas perguntas urgentes como a quebra demográfica e as desigualdades sociais.

"Quando e como esbatemos as desigualdades que ainda persistem e continuam a minar a nossa coesão entre pessoas grupos e territórios, juntando novos pobres aos velhos pobres", questionou. Sem nunca fazer referência direta ao ciclo eleitoral que se avizinha, o presidente alertou para a "inquietude" dos jovens que os afasta dos sistemas tradicionais.

CDS e PSD não deixaram de atacar o Governo, criticando as relações familiares entre membros do Executivo.

Filipe Anacoreta Correia defendeu que o país tem de ouvir um pedido de desculpas pelos escândalos de "compadrios políticos e económicos". "A promiscuidade com o poder, seja de âmbito económico, partidário ou familiar, é incompatível com a dignidade democrática", sublinhou o deputado do CDS, recordando os "escândalos" da Caixa Geral de Depósitos, BES, PT ou o roubo de Tancos para defender ética mais exigente aos políticos.

O PSD também não passou ao lado das ligações familiares entre membros do Governo. "Rejeitamos que critérios clubístico-partidários ou de nepotismo familiar se sobreponham ao mérito e ao interesse coletivo". Pedro Roque fez um balanço negativo da legislatura e garantiu que o PSD se mantém "focado e motivado para gerar alternativa governativa".

"O Serviço Nacional de Saúde pode voltar a andar de cravo ao peito, como Arnaut o sonhou, ou manterá a porta aberta para o negócio dos privados em cedência à pressão presidencial?" - perguntou Jorge Falcato, do BE numa crítica direta ao presidente, que esta semana, num programa da RTP defendeu que se o Parlamento fechar totalmente a porta às PPP na Saúde, aprovará "uma lei irrealista".

Na sua intervenção o deputado do BE sublinhou que a lição de Abril é que "nada é oferecido, tudo se conquista", havendo ainda muito por fazer.

Todos os anos, o Parlamento enche-se para cerimónia. Este não foi exceção, com alguns dos capitães de Abril a marcar presença. Entre os antigos presidentes da República só Cavaco Silva faltou à sessão.