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Direção-Geral de Saúde quer meningite B no programa de vacinação

Direção-Geral de Saúde quer meningite B no programa de vacinação

A vacina que previne a meningite B (causada por meningococos B) deverá ser incluída, em breve, no Programa Nacional de Vacinação (PNV). A decisão está a ser estudada pela Comissão Técnica de Vacinação (CTV), confirmou ao JN a diretora-geral da Saúde, que sublinha a proteção que garante às crianças.

A CTV, que é um grupo consultivo da Direção-Geral da Saúde (DGS), reuniu-se anteontem e voltará a encontrar-se ainda este ano para decidir se a vacina contra o meningococo, estirpe B (comercializada com a designação Bexsero), vai continuar a ser paga pelos pais ou se deve constar do leque da vacinas gratuitas no PNV. Só este ano, entre janeiro e agosto, foram vendidas 132 mil doses da única vacina que protege contra a meningite B, a forma mais frequente da doença.

"A CTV está a avaliar e a equacionar se é uma mais-valia para toda a população", explicou Graça Freitas. "No plano individual, a vacina é ótima e dá proteção às crianças", confirma a responsável. À comissão técnica - que integra especialistas em áreas como pediatria, epidemiologia, farmácia, biologia, obstetrícia, biologia, infecciologia e antropologia - cabe emitir um parecer, baseado em evidências científicas, sobre o impacto da vacinação (e da possível doença) na população e na saúde pública.

Pediatras aconselham

Certo é que, atualmente, já muitos pais compram a vacina, que custa quase 100 euros por dose. "De uma forma geral, tanto os pediatras como os médicos de medicina geral e familiar estão a aconselhar os pais a vacinar os filhos com a única vacina que existe para estirpe B. Só podemos aconselhar porque cabe depois aos pais decidir se querem ou se têm dinheiro para ministrar a vacinas aos filhos", confirma ao JN o presidente do Colégio de Pediatria da Ordem dos Médicos.

Sem responder claramente se é favorável à inclusão da vacina no PNV, Jorge Amil Dias remete a decisão para uma "análise técnica especializada" que está a ser feita e que terá em conta "as regras de equilíbrio entre o benefício e o custo" da implementação da medida.

À introdução de novas vacinas no PNV não está alheia a "mobilidade da população". "Há uma nova dinâmica populacional, com movimentos migratórios que implicam também uma circulação de bactérias", frisou Graça Freitas.

Jorge Amil Dias confirma que "seguramente que o aumento de mobilidade, especialmente viagens para países com realidades e riscos epidemiológicos diferentes, condiciona alguma variação na procura" das vacinas. Por outro lado, o pediatra acredita que "a melhoria da situação económica do país facilita a aquisição de produtos caros e as vacinas custavam cêntimos e agora custam dezenas de euros ".

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