Douro

Doenças farão baixar produção de vinho para 230 mil pipas

Doenças farão baixar produção de vinho para 230 mil pipas

Doenças da vinha, com destaque para o míldio, vão afetar a produção de vinho deste ano na Região Demarcada do Douro.

A Associação de Desenvolvimento da Viticultura Duriense (ADVID), que faz as previsões baseadas no método do pólen, tinha apontado um potencial de colheita à floração entre as 254 mil e as 273 mil pipas (550 litros cada uma). Esta quinta-feira, a diretora-geral, Rosa Amador, reviu a previsão em baixa para valores que podem "rondar ou, até, ser inferiores à colheita declarada no ano passado", que foi de 232 mil pipas. Em suma, o quantitativo deverá situar-se à volta das 230 mil pipas, embora fique a depender das condições climáticas que se registarem até setembro.

A previsão deste ano era, à partida, "mais baixa que a do ano passado". Mas perante as condições que ainda se verificam na região em pleno mês de julho, como é o caso do "míldio ainda muito ativo", o cenário ainda será pior que o expectável e "nem ao intervalo mínimo de 254 mil pipas vai chegar". "Não é uma situação reprodutível nos últimos anos", sublinhou Rosa Amador, notando que na reunião da ADVID desta quinta feira se chegou a "comparar 2018 com 1988, que já foi há 30 anos".

A "grande pressão de míldio" nesta altura do ano é justificada por Rosa Amador com "muita humidade no solo". Esta levou a uma "expansão vegetativa muito rápida", o que faz com que "não haja tempo para entrar na vinha e fazer os tratamentos". Para agravar o cenário, "há falta de mão de obra" e muitas vinhas com "mecanização reduzida".

Na verdade, 2018 está a ser "um ano fora do normal". A diretora-geral da ADVID reforça que "ninguém estava à espera de um ano como este". Nesta altura, "o ciclo vegetativo está atrasado cerca de 10 dias, o que fará, com certeza, que a vindima seja mais tardia".

A muita humidade que ainda existe no solo poderá levar também ao "desenvolvimento de podridões", pelo que devem ser tomadas "medidas preventivas para que isso não aconteça". É que, vinca a responsável, "se for possível levar até ao fim as uvas que existem, a vindima terá qualidade". Aliás, "a história diz que os anos de míldio são anos de vintage (categoria especial de vinho do Porto)".

O último ano em que o Douro teve grandes problemas de míldio foi em 2016, com quebras de produção acentuadas em algumas parcelas. No entanto, "foi um ano bom em termos de qualidade", o que também "é expectável para 2018", sendo que, apesar de tudo, "este ano não está a ser tão mau como 2016".

A ADVID baseia as suas previsões no método de pólen, pelo que não têm em consideração os fatores pós-florais, que podem alterar o potencial de colheita. É o caso das recentes intempéries com chuva abundante e granizo, que provocaram prejuízos em vinhas de várias zonas da Região Demarcada do Douro, mas que ainda não se sabe ao certo o impacto que terão na próxima vindima.

De referir ainda que o Conselho Interprofissional do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto fixou o benefício para a vindima deste ano (quantidade de mosto que cada produtor pode transformar em vinho do Porto) nas 116 mil pipas. A decisão foi tomada por unanimidade no órgão a cuja mesa se sentam as duas profissões da Região Demarcada do Douro: a produção e o comércio.

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