Ambiente

Drones vão ajudar na conservação da natureza

Drones vão ajudar na conservação da natureza

A Liga para a Proteção da Natureza pretende utilizar drones, com características específicas, para monitorizar espécies e avaliar ecossistemas, permitindo chegar a áreas remotas e aumentar o grau de rigor, afirmou hoje o presidente da organização.

"É uma proposta inovadora para utilizar 'drones' na conservação da natureza, sobretudo na monitorização das espécies e na avaliação do estado dos ecossistemas", que espera conseguir uma parte da verba necessária, ainda em falta, avançou à agência Lusa Tito Rosa.

O responsável explicou que este equipamento "não é utilizado em Portugal ainda nesse campo e pode, por exemplo, fazer o seguimento de animais libertados como os linces ou as águias, que são marcados".

Os 'drones', que serão desenvolvidos especificamente para este efeito, "têm a vantagem de, em áreas remotas, serem muito mais eficazes que os telemóveis", acrescentou.

Os ambientalistas pretendem também testar outras vantagens deste método, como a contagem das espécies, ou os censos das populações ameaçadas, "agora feitos com métodos com algum grau de erro".

"Com este aparelho, podemos ter uma melhor visualização, identificar os animais com maior grau de rigor, além de ser possível fazer voos noturnos", realçou o presidente da Liga para a Proteção da Natureza (LPN).

Tito Rosa esclareceu que os 'drones' voam a grandes altitudes e não prejudicam os voos das aves.

O projeto para a utilização dos 'drones' envolve cerca de um milhão de euros e foi aprovado pelo Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos (POSEUR), que contribuiu com 85% do total, mas ainda falta a participação da LPN na qualidade de entidade promotora.

Os aparelhos vão ser operados pela GNR, "portanto num quadro de segurança", e a uma altitude que não a dos 'drones' mais comuns, além de integrarem soluções tecnológicas relacionadas com os motores, para serem silenciosos, explicou o presidente da LPN.

Quando foi apresentado o projeto ao POSEUR, relatou, havia a possibilidade de cofinanciamento de uma empresa que "deu o dito por não dito" e agora a LPN está a tentar recolher o montante em falta.

A propósito desta situação, Tito Rosa transmitiu dúvidas acerca das regras do Ministério do Ambiente para os financiamentos de projetos de conservação da natureza.

"Não entendemos porque é que as organizações como a Liga e outras, sem fins lucrativos e de utilidade pública, e que desenvolvem projetos que o próprio ICNF [Instituto da Conservação da Natureza e Florestas] podia fazer, se tivesse esses recursos, têm de ir buscar 15% de fundos privados para financiar o projeto", disse.

"Não percebemos porque é que não é equiparado a um investimento público", especificou.

As verbas obtidas pela LPN através dos associados e doadores são normalmente canalizadas para ações de educação e sensibilização.

Conteúdo Patrocinado