Saúde

Enfermeiros querem ganhar mais do que os médicos

Enfermeiros querem ganhar mais do que os médicos

Os enfermeiros querem receber mais 823 euros em início de carreira, passando de uma remuneração mínima atual de 1201,48 euros para 2025,35 euros.

Reivindicam um aumento de 68,6% já a partir de 1 de setembro. Esta proposta faria com que um enfermeiro, no 1.º escalão, ganhasse mais do que um médico assistente em início de profissão, com horário de 35 horas semanais.

A mudança depende da aprovação de um novo acordo coletivo de trabalho pelo Ministério da Saúde, mas, dificilmente, Adalberto Campos Fernandes dará aval a subidas remuneratórias desta grandeza. A proposta - apresentada a 16 de agosto no âmbito das negociações entre a Federação Nacional dos Sindicatos dos Enfermeiros e a Administração Central do Sistema de Saúde - cria a categoria profissional de enfermeiro especialista e, para esses, exige-se um salário de, pelo menos, 2488,78 euros.

Os enfermeiros especialistas retomaram, ontem, o protesto em 28 hospitais e centros de saúde. Se, até ao final da manhã de hoje, a tutela nada disser oficialmente sobre a proposta de acordo coletivo de trabalho, os enfermeiros avançarão para a greve. A paralisação nacional decorrerá no próximo mês por cinco dias. Também os médicos ameaçaram com uma greve para outubro e, hoje, realiza-se uma nova ronda negocial no Ministério da Saúde.

Semanas de 35 horas para todos

Depois de sete anos sem aumentos, com a carreira reduzida a duas categorias (enfermeiro e enfermeiro principal) e com as progressões muito dificultadas, grande parte dos enfermeiros (que representam um terço dos trabalhadores do Serviço Nacional de Saúde) está no primeiro escalão da tabela remuneratória. Auferem 1201,48 euros por mês. Muitos são precários. E o salário é o mesmo para todos: sejam ou não especialistas, trabalhem 35 ou 40 horas por semana.

Em cima da mesa, está, entre outras medidas, a generalização do horário de 35 horas semanais para todos os profissionais, a limitação do recurso a contratos a termo (incluindo os recibos verdes), a progressão mais rápida na carreira (ao fim de três anos, desde que tenham avaliações de desempenho positivas) e uma nova tabela remuneratória com menos de metade dos escalões. O reforço dos salário é uma das mudanças mais expressivas e será o maior obstáculo ao entendimento com o Ministério da Saúde. O JN apurou que os enfermeiros admitem uma atualização gradual dos vencimentos, desde que seja feita em dois anos.

Além desse reforço remuneratório, a nova tabela extingue a categoria de enfermeiro principal e cria quatro novas categorias. Propõe-se, então, o enfermeiro especialista (que começaria por auferir 2488,78 euros e atingiria os 4033,54 euros no topo da carreira) e os enfermeiros diretores de nível 1, 2 e 3. O primeiro nível seria para os dirigentes de um serviço, o segundo para quem comanda departamentos e o terceiro para o enfermeiro que integra a Administração de uma unidade ou de uma região de Saúde. As remunerações propostas ascendem de 4033,54 euros a 4548,46 euros.

O objetivo dos enfermeiros é que, nas unidades públicas, metade dos profissionais seja especialista e, desses, 90% integrem os serviços de Obstetrícia, Pediatria, Psiquiatria e Cuidados Intensivos.

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