Saúde

Enfermeiros recusam doar sobra do "crowdfunding" das greves à bebé Matilde

Enfermeiros recusam doar sobra do "crowdfunding" das greves à bebé Matilde

Os enfermeiros do grupo "Greve Cirúrgica" não vão doar os mais de 240 mil euros que sobraram da angariação de fundos para financiamento das greves cirúrgicas a instituições solidárias ou à bebé Matilde, como chegaram a admitir no início do mês. Preferem usá-lo em prol da sua luta.

No início deste mês, já depois de ter sido noticiado o caso Matilde, a bebé de três meses que sofre de atrofia muscular espinhal 1 e que precisa de um medicamento inovador que ainda não é comercializado em Portugal, alguns enfermeiros sugeriram doar o dinheiro, que está guardado há alguns meses, a essa causa ou a instituições sociais.

Foi enviado por email um inquérito às 25 257 pessoas que fizeram donativos para financiar as greves cirúrgicas que tiveram lugar no final de 2018 e início de 2019, das quais apenas 19% das pessoas responderam.

Das 4862 pessoas que se pronunciaram sobre qual seria o destino dos mais de 200 mil euros que sobraram dos 780 mil euros angariados, 63,4% decidiu que o dinheiro deve ser usado para que os enfermeiros continuem a lutar pela sua carreira em tribunal.

Um dos sindicatos que apoiou as greves cirúrgicas discorda desta decisão. A presidente da Associação Sindical Portuguesa dos Enfermeiros (ASPE), Lúcia Leite, adiantou à TSF que além de terem sido obtidas poucas respostas, as pessoas que doaram dinheiro podem sentir-se defraudadas, visto que inicialmente o dinheiro seria usado na greve e o que restasse iria ser doado a instituições.

Com a decisão tomada, o Grupo Greve Cirúrgica anunciou, no início desta semana, na sua página do Facebook, que irá fazer um estudo prévio para perceber a viabilidade de avançar com um processo contra o Ministério da Saúde. Referiu também que, caso as suas principais reivindicações sejam atendidas e sobre dinheiro no final do eventual processo judicial, essas verbas serão então doadas a causas sociais.