República

Era Milhais de apelidomas valeu por milhões

Era Milhais de apelidomas valeu por milhões

É com prazer e orgulho que Leonida dos Anjos Milhões folheia os recortes de jornal, antigos e enferrujados, com notícias referentes ao seu pai: Aníbal Augusto Milhais, o Herói Milhões.

 Homem simples nascido em Valongo (Murça) e que alcançou a fama quando na Batalha do Lys, corria o mês de Abril de 1918, em plena Primeira Guerra Mundial, combateu sozinho contra uma avassaladora ofensiva alemã, permitindo a retirada de parte das forças portuguesas e escocesas.

A bravura do franzino e pequeno Aníbal valeu-lhe a Torre e Espada, a mais alta condecoração militar portuguesa, entre outras distinções. O epíteto "Milhões" resultou do elogio do seu comandante, Ferreira do Amaral: "Tu és Milhais mas vales milhões". E assim, o soldado tornou-se herói de guerra e um símbolo de Murça, a tal ponto que em 1924, em sua homenagem, a sua terra natal passou a chamar-se Valongo de Milhais.

Leonida dos Anjos, de 71 anos, é a oitava de 10 filhos (dois morreram ainda crianças) do soldado Milhões. "Mas só cinco deles têm o apelido Milhões, os outros são Milhais". Explica a diferença com erros de registo na Conservatória. Diz Leonida que é a que mais recordações guarda em casa. "Tenho tudo o que lhe diz respeito, desde jornais a fotografias", frisa, ressalvando que as medalhas, a pistola, a caderneta militar e alguns documentos estão à guarda do Museu Militar do Porto.

A filha do soldado Milhões ainda possui uma gravação do pai, que na primeira pessoa conta a história da guerra em que se tornou herói. "O problema é que está em bobines e o gravador avariou. Gostava de arranjar maneira de a passar para cassetes ou CD". Um boa recordação de um homem a quem a fama "nunca subiu à cabeça".

Ontem, a Câmara e a Associação dos Amigos de Murça prestaram-lhe homenagem, bem como a Alfredo Pinto, outro ilustre republicano do concelho. A iniciativa serviu também para comemorar o centenário da República Portuguesa.

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