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Explosivos furtados em Tancos estavam ativos

Explosivos furtados em Tancos estavam ativos

O chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas, general Pina Monteiro, declarou, esta terça-feira, no Parlamento, que a quase totalidade do material furtado em Tancos estava ativo e classificou o assunto como grave.

Pina Monteiro falava, na Comissão de Defesa, a perguntas do PSD salientando que nunca tinha afirmado que os 44 lança-granadas foguete LAW não estava ativos. O general esclareceu que o que sempre tem dito é que os LAW "provavelmente" não estavam ativos, mas sem garantias absolutas.

Quanto ao restante material, em particular os explosivos, o general garantiu que estavam ativos, tendo em conta a informação que lhe foi prestada pelo chefe de Estado-Maior do Exército.

Pina Monteiro não limitou a gravidade do caso ao furto do material de guerra, mas também pela simples razão de uma instalação militar ter sido alvo de um assalto.

Continuando a intervenção, Pina Monteiro salientou que o nível de segurança das instalações militares está também dependente das informações prestadas pelos serviços de informações, civis e militares, assim como do Sistema de Segurança Interna, a cargo de Helena Fazenda. Esta é uma questão crítica, uma vez que durante todo o processo foi sempre afirmado que nem o Ministério da Defesa nem as Forças Armadas foram informados de qualquer necessidade de reforçar a segurança.

Em resposta ao deputado do PS João Soares, o general Pina Monteiro, esclareceu que as Forças Armadas não tinham qualquer informação sobre eventuais indícios da preparação de um assalto a um quartel. O CEMGFA salientou que não havia informação nas informações militares (CISMIL) nem nas civis (SIS e SIED).

O CDS, através do Bloco de Esquerda, na mesma linha de João Soares, lembrou o "dever de informação", uma vez que decorreria um inquérito no Ministério Público e seria obrigação passar essa informação às autoridades militares. Pina Monteiro reafirmou o que já tinha respondido a João Soares e salientou que: "Se a informação me tivesse chegado é claro que eu tinha alertado o chefe de Estado-Maior do Exército e determinado alterações no nível de segurança dos quartéis".

Quanto à segurança das instalações militares, uma questão colocada pelo Bloco de Esquerda, Pina Monteiro destacou ser partidário da utilização de meios civis, por exemplo, no controlo de acessos, reservando os recursos humanos militares para a componente militar da Defesa Nacional.

Hoje à tarde, Helena Fazenda será ouvida na Comissão de Defesa também sobre o processo de Tancos.

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