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Faltam 88 pedopsiquiatras nos hospitais

Faltam 88 pedopsiquiatras nos hospitais

Algarve só tem um médico especialista e o Alentejo dois. Évora, Guarda, Portalegre e Castelo Branco não têm nenhum.

Considerada o parente pobre da psiquiatria, na pedopsiquiatria "falta tudo". A começar por médicos especialistas: faltam, pelo menos, 88. O que faz com que haja zonas do país, como o Alentejo e o Algarve, a descoberto. Mas faltam também equipas multidisciplinares e camas para internamento. E saber ao certo do que estamos a falar, uma vez que não há em Portugal nenhum estudo epidemiológico. O retrato é feito ao JN pelo diretor do Programa Nacional para a Saúde Mental, Miguel Xavier, a propósito do Dia Mundial da Saúde Mental que hoje se assinala, dedicado este ano à infância e adolescência.

Para Miguel Xavier, a falta de recursos humanos constitui o "maior problema", associado a disparidades territoriais, "com um problema sério de falta de pedopsiquiatras no Alentejo e no Algarve", com dois e um especialistas para 81 465 e 80 646 crianças, respetivamente. A "grave carência na cobertura do país" e as assimetrias regionais são também identificadas pelo presidente do Colégio de Psiquiatria da Infância da Ordem dos Médicos. "Há locais no país onde não há nenhum pedopsiquiatra colocado - Évora, Guarda, Portalegre e Castelo Branco - e zonas onde existe apenas um ou dois colocados, como o Alentejo, Açores, Beira Interior e Algarve", sublinha Paulo Baptista dos Santos.