Refugiados

Família síria já em Portugal poderá ter estatuto de refugiado em breve

Família síria já em Portugal poderá ter estatuto de refugiado em breve

A família síria trazida para Portugal pela caravana "Famílias como as Nossas" poderá ter uma decisão sobre o pedido de asilo dentro de duas semanas, adiantou um dos responsáveis da associação que, em novembro, repete a viagem.

"Já passaram todos os procedimentos administrativos necessários enquanto requerentes de asilo e agora é só aguardar a decisão do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF). Acreditamos que não seja um prazo superior a duas semanas", disse à Lusa Nuno Félix, da Famílias como as Nossas, entretanto constituída associação.

Da parte do SEF não foi levantado qualquer problema ou objeção à ação da associação. Houve apenas um alerta para "os riscos inerentes" a viajar para trazer famílias de refugiados.

"Se estivermos a transportar cidadãos indocumentados podemos ser confundidos com traficantes de seres humanos ou pode ser entendido como auxílio à imigração ilegal", referiu Nuno Félix, que contou que, no regresso a Portugal, os elementos da caravana chegaram a estar detidos durante uma hora na fronteira austríaca.

O responsável da associação disse que "felizmente, as autoridades austríacas fizeram uma interpretação bondosa" da situação, e perceberam qual era "a missão" da caravana.

O responsável da associação, que a 3 de outubro chegou a Portugal com uma família síria de cinco pessoas, disse ainda que a 16 de novembro um grupo, de número de pessoas ainda indeterminado, volta a partir em viagem para o centro da Europa, com o objetivo de entregar ajuda humanitária, oferecer trabalho voluntário para ajudar as famílias que aguardam passagem nas fronteiras da Europa em campos de refugiados - "onde a escassez de pessoas a ajudar estas pessoas é imensa" - e, eventualmente, trazer mais famílias para Portugal.

"Se existirem famílias que queiram vir connosco e se nós tivermos uma capacidade para as transportar e acolher cá em Portugal, dando todo o apoio à integração como o temos feito com esta família, assim o faremos", afirmou Nuno Félix.

O destino é a fronteira da Eslovénia com a Áustria.

"A ajuda seguirá nos nossos carros. Se entretanto surgirem mais apoios, se daqui até à data de partida surgirem outras possibilidades logísticas, somos capazes de levar mais ajuda do que aquela que é a nossa capacidade de transporte individual", disse Nuno Félix.

Na quinta-feira partiram em direção à Macedónia dois camiões cheios com ajuda recolhida pela associação.

"Com a nossa iniciativa surgiram muitas iniciativas de recolha de bens. Já seguiram dois camiões com ajuda para a Macedónia e não se conseguiu enviar um terceiro camião porque não foi possível operacionalizar tudo", disse Nuno Félix.

Alguns dos bens doados à associação e a outras que se associaram ao projeto estão também a ser distribuídos em Portugal, referiu o responsável, que adiantou que hoje foram entregues bens a crianças do Instituto Português de Oncologia (IPO) de Coimbra, e que outras iniciativas semelhantes estão já agendas.

Quanto à família síria que já está em Portugal, Nuno Félix disse que "está ótima".

"Hoje foram à mesquita e ao SEF e passearam por Lisboa. A intenção deles no curto médio prazo é ficar em Portugal. Depois são livres de fazerem o que entenderem, mas também é isso que queremos para eles, as mesmas condições que temos", disse.