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Fantasia: "Eu é que convenci Cavaco a mudar"

Fantasia: "Eu é que convenci Cavaco a mudar"

O homem que convenceu Cavaco Silva a trocar a vivenda de Montechoro pela da Aldeia da Coelha explica como tudo se passou. Falando pela primeira vez à comunicação social, Fernando Fantasia desmente a condição de "testa-de-ferro" da SLN, com a qual só a meados da década de 2000 se relacionou.

Como se envolveu na aquisição da vivenda do prof. Cavaco Silva na Aldeia da Coelha?

Trabalho no imobiliário há 45 anos. Iniciei a actividade na CUF. Conheço o prof. Cavaco desde que nasceu. Sou mais velho dois anos. Somos da mesma aldeia.

Amigos de infância, portanto.

Sim. Na aldeia eramos todos primos e primas. Ainda somos familiares afastados. Naturalmente que em questões de imobiliário, ele pergunta-me. Quando adquiri a casa na Coelha, ele tinha a de Montechoro, que era pacata quando a comprou, mas depois começou a ter barulho à volta, com as discotecas e o movimento. Fiquei de arranjar um comprador para a casa, que estava mais valorizada. Montechoro era o sítio da moda e a Coelha não tinha ninguém ainda.

Estamos a falar em 1998?

De 1996-97. Ele tinha acabado de sair do Governo e tentei conduzi-lo para ali. Eu e o amigo Carapeto Dias.

Juntou-se o facto de Manuel Afonso estar a atravessar dificuldades?

Manuel Afonso era um pequeno construtor de Almada que eu conhecia há anos e a quem tinha dado pequenos trabalhos. Na altura, disse-lhe que ia ver se convencia o prof. Cavaco a ficar lá.

A OPI 92 já adquirira parte do capital da Constralmada, de Manuel Afonso?

Ele tinha a Manuel Afonso, Lda. , que enfrentava dificuldades técnicas. Criou a Constralmada e pediu-me para entrar no capital. Fiquei com um terço, mas nunca tive actividade na gestão.

O edifício adquirido por Cavaco Silva foi adaptado às necessidades dele, quando o comprou?

Sim, sim.

Foi feita, então, uma escritura posterior? A que é conhecida só alude a um terreno...

Não, não: foi feita a permuta da casa construída pela Constralmada com a casa dele em Montechoro. O terreno tinha a casa em construção. Terrenos não eram. Se calhar, [a escritura] diz prédios, que tanto podem ser terrenos como imóveis.

No documento da conservatória já aparece a referência a um imóvel.

Exacto, é isso.

A discrepância de valores atribuídos para efeitos fiscais entre a sua e a casa de Cavaco Silva é natural? A sua é mais recente e por isso foi alvo de avaliação posterior à dele?

Não, é mais antiga. A certa altura criei a OPI...

Disse na comissão parlamentar ao caso BPN que era inicialmente uma empresa familiar.

Era eu, a minha mulher e a minha filha. Mas deixe-me explicar: quando a empresa entrou no negócio de Rio Frio, percebi que não tinha capital para isso. Queriam era a minha gestão. Quando se transferiram as acções para a SLN e a SLN-Valor, recomprei a casa do Algarve, que estava registada na OPI. Aí, tive nova avaliação.

O primeiro aumento de capital da OPI foi em 2004?

Houve um primeiro aumento de capital, que eu suportei. Depois, um acordo para novo aumento. Entretanto, as coisas complicaram-se no BPN e na SLN. Mas nunca fiz parte do BPN ou da SLN. Nem sequer era cliente do BPN; passei a sê-lo depois. E nunca fui accionista, nem administrador, nem quadro da SLN. Nunca tive nenhuma relação, a não ser a venda das acções da OPI. Já com o dr. [Miguel] Cadilhe como administrador.

Na comissão de inquérito, o deputado Nuno Melo sugeriu que seria um "testa-de-ferro" da SLN. Quer comentar?

Nunca fui "testa-de-ferro" de ninguém. Sempre fui gestor. Aliás, em relação à SLN, a minha empresa só interveio num negócio, o de Rio Frio.