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Férias dos políticos vão ser mais curtas

Férias dos políticos vão ser mais curtas

Maioria dos dirigentes volta a descansar no Algarve. Mas muitos vão ficar menos dias para entrarem na campanha das autárquicas.

A maioria dos políticos portugueses volta a escolher o Algarve como destino predileto de férias. Apenas a bloquista Catarina Martins opta pelo Norte do país e o deputado do PAN (Pessoas-Animais-Natureza) ruma a Espanha para se "recolher" nos parques naturais. Só que, ao contrário do ano passado, as férias dos políticos vão ser mais curtas. Alguns, como Assunção Cristas, admitem até interromper o descanso para deslocações pontuais à capital. Em causa, a campanha para as eleições de 1 de outubro, que vai atirar os líderes partidários para as estradas do país, com o intuito de dar uma "mãozinha" aos candidatos autárquicos.

Se, no verão de 2016, foram polémicas as férias da ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, por ter aparecido em fotografias numa festa VIP, no Algarve, quando ganhava proporções preocupantes um incêndio em Gondomar, que durante dois dias ameaçou dezenas de habitações, este ano foi o primeiro-ministro, António Costa, a ser criticado por manter as férias de inícios de julho, em Palma de Maiorca, quando o país lidava com o incêndio de Pedrógão Grande, que vitimou 64 pessoas e destruiu 500 casas, e com o roubo de material militar na Base de Tancos.

"O primeiro-ministro encontra-se no gozo de uma semana de férias. Mas está sempre contactável e disponível em caso de necessidade", justificou, então, em comunicado, o gabinete de António Costa.

Agora, o governante não pretende tirar mais uma semana inteira de férias, ao contrário do que fez, no início de agosto de 2016, quando rumou ao sul do país com a família. Acresce que, apesar de ter desvalorizado as críticas ao primeiro-ministro, o presidente da República também deixou claro que deseja que esteja concluída, antes das férias, a nova legislação sobre a floresta. Um repto que o Governo já abraçou. "Durante o mês de agosto, [o primeiro-ministro] aproveitará alguns dias, em especial ao fim de semana", informou, ao JN, o gabinete de António Costa.

Marcelo no Sul mas disposto a ir a Lisboa

O presidente da República não prevê qualquer corte nos dias de férias, preparando-se para, como sempre, permanecer durante cerca de duas semanas no Algarve com a família - costuma preferir a Quinta do Lago. Marcelo Rebelo de Sousa admite, contudo, fazer "surtidas" a Lisboa, sempre que ache necessário.

Recorde-se que, no verão passado, o facto de o chefe de Estado estar de férias no Algarve não o impediu, por exemplo, de tentar apurar, junto do Hospital Santa Maria, pormenores sobre o estado de saúde de Ruben, jovem com, então, 15 anos, que terá sido agredido pelos dois filhos do embaixador do Iraque em Portugal, deixando Marcelo "preocupado e chocado".

Também o líder do PSD, Pedro Passos Coelho, tenciona manter a tradição de passar a primeira quinzena de agosto em Manta Rota. E Jerónimo de Sousa está prestes a concluir as suas férias que, tal como no ano passado, se iniciaram em finais de julho e terminaram nos primeiros dias de agosto. O secretário-geral do PCP esteve pelo sul do país, como já é habitual.

O Algarve é igualmente o destino de eleição da presidente do CDS-PP. Mas, ao contrário do passado, apenas permanecerá, com a família, pelo sul do país, na segunda semana de agosto. Assunção Cristas admite que, mesmo nesses dias, possa fazer deslocações "pontuais" a Lisboa, onde é a cabeça de lista do partido à Câmara Municipal.

Apenas André Silva vai sair do país

De todos os dirigentes partidários, apenas Catarina Martins (BE) e André Silva (PAN) procuram destinos alternativos ao Algarve. Tal como em 2016, a dirigente do Bloco vai rumar ao Norte, onde passará dez dias em família. Mas, se no verão anterior, ainda descansou uns dias nos Açores, desta feita fica-se por um único destino.

O mesmo fará André Silva que, no ano passado, procurou "um contacto profundo com a natureza" no Tibete, Nepal e China. "Durante as primeiras duas semanas de agosto, vou recolher-me em parques naturais de Espanha", adiantou ao JN o porta-voz do PAN, justificando: "Quero sair da cidade, serenar a mente e sentir que estou a enraizar de novo os pés na terra". Nas últimas duas semanas do mês, André Silva regressa ao trabalho, admitindo pequenas incursões para estar com a família em Vilar de Besteiros. Mas estará sobretudo focado na preparação de propostas para o Orçamento de Estado para 2018 e, tal como os outros líderes partidários, "em dar apoio" às candidaturas autárquicas".

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