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Ferreira Leite criticou “a forma autoritária de governar" do PS

Ferreira Leite criticou “a forma autoritária de governar" do PS

O secretário-geral do PSD, Luís Marques Guedes, afirmou esta terça-feira que as declarações de Manuela Ferreira Leite sobre um cenário de seis meses sem democracia foram "uma crítica à forma autoritária de governar" do Governo do PS.

"A dra. Manuela Ferreira Leite estava a fazer uma crítica à forma autoritária, errada, de governar do engenheiro Sócrates e deste Governo e ao fazer essa crítica ilustrou-a com aquilo que ela acha que não se deve fazer", afirmou Marques Guedes, em conferência de imprensa, na sede nacional do PSD.

 "Se houve alguém que não percebeu, seguramente que não era essa a intenção da dra. Ferreira Leite", acrescentou o secretário-geral do PSD, condenando as críticas feitas pelo parlamentar do PS às declarações de Manuela Ferreira Leite.

 A presidente do PSD, Manuela Ferreira Leite, defendeu hoje que em democracia não é possível fazer reformas contra as classes profissionais, demarcando-se da atitude do Governo no que respeita à reforma do sistema de justiça.

 "Quando não se está em democracia é outra conversa, eu digo como é que é e faz-se", observou a presidente do PSD, acrescentando: "E até não sei se a certa altura não é bom haver seis meses sem democracia, mete-se tudo na ordem e depois então venha a democracia".

 "Agora, em democracia efectivamente não se pode hostilizar uma classe profissional para de seguida ter a opinião pública contra essa classe profissional e então depois entrar a reformar -- porque nessa altura eles estão todos contra", concluiu Manuela Ferreira Leite.

 De acordo com Marques Guedes, estas declarações foram "com certeza uma crítica forte à forma de governar autoritária deste Governo, ironicamente chamou a atenção que isso porventura seria próprio num regime não democrático, mas que em democracia não é forma de se trabalhar, de se governar".

 Segundo o secretário-geral do PSD, todos os que ouviram ao vivo as declarações as interpretaram desta forma e por isso "a reacção da sala é uma reacção irónica, de sorrisos, quando a dra. Manuela faz essa crítica velada à forma de governar errática, autoritária, deste Governo".

 Luís Marques Guedes condenou por isso as críticas feitas pelo líder parlamentar do PS, Alberto Martins, às declarações da presidente do PSD, dizendo que "há limites para a crítica e para o combate político e esses limites são a seriedade e o respeito pela verdade".

 "Quando esses limites não são respeitados cai-se na chicana política e, pior, no absurdo", acrescentou Marques Guedes, qualificando de "deslocadas e completamente impróprias" as críticas feitas pelo líder parlamentar do PS. 

"Quero acreditar que o dr. Alberto Martins correu atrás de relatos truncados ou grosseiramente retirados do seu contexto, mas isso não desculpa nem a ligeireza nem o ridículo das acusações totalmente desfasadas da verdade dos factos que proferiu. Exigia-se outra responsabilidade e outro respeito pela verdade", concluiu Marques Guedes.

 Alberto Martins manifestou o "repúdio veemente" dos socialistas em relação às declarações de Manuela Ferreira Leite, considerando-as "anti-democráticas, reveladoras de uma cultura autoritária e de ausência de cultura cívica" e salientando que "a democracia não pode ter intervalos de seis meses".

 O secretário-geral do PSD repetiu que "quem esteve presente ou quem teve a oportunidade de visualizar na íntegra a conferência sabe bem que as declarações da dra. Manuela foram rigorosamente o oposto da interpretação forjada que se tentou colocar" e defendeu que não haveria equívocos na interpretação da declaração se esta "tivesse sido integralmente reproduzida" pela comunicação social.

 "Trata-se de perguntas e respostas da dra. Ferreira Leite e não é sério fazer-se truncagem de frases ou de palavras isoladas quando se trata de um raciocínio a responder a uma pergunta", criticou.

 Questionado sobre a reacção do social-democrata Pedro Passos Coelho, que se manifestou convicto de que a presidente do PSD "corrigirá com certeza as suas afirmações" sobre a democracia porque "não pode ter querido dizer aquilo que disse", Marques Guedes não quis fazer comentários.