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Filho de português que ia no avião desaparecido é assistente de bordo

Filho de português que ia no avião desaparecido é assistente de bordo

João David Silva, o português que seguia a bordo do Airbus da EgyptAir, vivia há muitos anos em África.

Engenheiro civil de 62 anos, nascido em Angola, era o coordenador da Mota-Engil para os mercados africanos e, ao que o JN apurou, estaria a regressar a casa depois de uma viagem de trabalho.

O engenheiro tinha residência em Joanesburgo, na África do Sul, e deixa quatro filhos, de dois casamentos, todos em idade adulta: três deles fruto do primeiro relacionamento, e o quarto, mais novo (de 19/20 anos), do segundo casamento. Ironicamente, um dos descendentes de João Silva é assistente de bordo numa companhia aérea.

"Admitimos que o seu destino seria Joanesburgo, porque é lá que está inscrito nos serviços consulares e é lá também que tem atividade de natureza profissional", explicou ontem o secretário de Estado das Comunidades, José Luís Carneiro. Tanto a mulher como os quatro filhos vivem em Lisboa.

Apoio do Governo português

Na Mota Engil há 32 anos, João David Silva frequentou a Universidade do Porto (Faculdade de Engenharia) e a Universidade de Luanda. No seu percurso profissional, de acordo com os dados disponibilizados no Linkedin pessoal, incluem-se passagens por Moçambique (maio de 2010 a março de 2012) e pelo Peru (de outubro de 2004 a julho de 2007). A partir de 2012, fixou-se em Joanesburgo. No seu perfil, o português refere ainda que estava disponível para trabalho de voluntariado, sob a forma de "consultoria pro bono".

O secretário de Estado falou ao telefone com a mulher do engenheiro, Adélia Silva, endossando-lhe as condolências em nome do Governo, e disponibilizou-se a dar todo o apoio no processo de identificação e "documentação consular que é necessário emitir para que sejam desenvolvidas as diligências de busca e de transporte dos restos mortais".

De resto, também a Mota-Engil se prontificou, junto do governante, a dar a ajuda necessária, nomeadamente a custear as despesas que não estejam cobertas pelo seguro. "Nesta fase, estamos em permanente contacto com as entidades oficiais portuguesas, para obter mais informação sobre o resultado da averiguação que decorre localmente por parte das entidades egípcias e francesas", referiu, em comunicado, a construtora.

Do ponto de vista diplomático, pouco ou nada mais pode ser feito do que facilitar o transporte dos restos mortais de João Silva (caso sejam encontrados). Se ficar comprovada a tese de atentado, entram em equação outros fatores, como as indemnizações às famílias das vítimas, normalmente a cargo da companhia aérea envolvida.

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