Dois anos

Governo nega promover sessão de perguntas com plateia paga

Governo nega promover sessão de perguntas com plateia paga

O Governo assinala, este domingo, dois anos em funções com um Conselho de Ministros extraordinário em Aveiro, seguido de uma sessão em que o Executivo responde a questões colocadas por cidadãos, que está a gerar polémica.

Na sexta-feira, o executivo anunciou que as perguntas da sessão - prevista para as 15 horas deste domingo, na Reitoria da Universidade de Aveiro - serão elaboradas pelos cidadãos que participem num inquérito quantitativo de avaliação ao segundo ano do Governo, organizado pelo estabelecimento de ensino superior.

O jornal "Sol" noticiou, no sábado, que o Governo vai pagar 36.750 euros ao grupo de 50 cidadãos. O ministro do Planeamento e das Infraestruturas respondeu dizendo que as perguntas e a seleção dos participantes na sessão são da responsabilidade da Universidade de Aveiro, rejeitando que haja pessoas contratadas.

Na plataforma dos contratos públicos online, consta um contrato, no valor referido, referente à "aquisição de serviços de recrutamento de participantes para integrar um estudo quantitativo e uma sessão pública no âmbito da iniciativa de avaliação do segundo ano em funções do XXI Governo Constitucional", realizado com a Aximage Comunicação e Imagem Lda.

Um segundo contrato, este no valor de 19 mil euros, foi realizado com a Universidade de Aveiro tendo como objeto a "aquisição de serviços de desenho, realização de estudo quantitativo e moderação do grupo de inquiridos" no âmbito da mesma iniciativa.

O PSD e o CDS-PP já desafiaram, entretanto, o Governo a cancelar a sessão de perguntas, com o deputado do PSD Luís Montenegro a considerar que se trata de uma "encenação vergonhosa", "imoral, indigna e de uma ligeireza total".

Pelo CDS-PP, a líder do partido, Assunção Cristas, afirmou que se o executivo liderado por António Costa "tivesse um pingo de vergonha" cancelaria a sessão que organizou em Aveiro com recurso a pessoas alegadamente contratadas.

O PCP, num curto comunicado divulgado no sábado à noite, considerou que a realização de estudos de avaliação da ação do Governo deve ter "como preocupação e prioridade" a resposta aos problemas da população e do país, sendo "criticável a sua transformação em atos de promoção pública".

O Governo convocou um Conselho de Ministros a realizar-se a partir das 11 horas, em Aveiro, estando a sessão com o painel de cidadãos prevista para se iniciar às 15 horas.

O executivo liderado por António Costa tomou posse há dois anos, depois de ter assinado acordos com o BE, PCP e PEV que lhe deram apoio parlamentar.