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Greta Thunberg tem quatro datas à escolha para visitar Portugal

Greta Thunberg tem quatro datas à escolha para visitar Portugal

Juntaram-se em 29 locais a 15 de março. Esta sexta-feira, serão 51 as praças e espaços públicos emblemáticos do país a receber os jovens que exigem medidas concretas para evitar os efeitos da crise climática. Entretanto, a autora do movimento "Greve pelo Clima", Greta Thunberg, confirmou a receção do convite para visitar Portugal e tem quatro datas à escolha.

O bloquista Pedro Soares, presidente da Comissão Parlamentar de Ambiente, Ordenamento do Território, Descentralização, confirmou ao JN que o convite à ativista sueca, Greta Thunberg, de 16 anos, para vir a Portugal teve receção confirmada esta quinta-feira e que são quatro as datas propostas: 19, 26 junho, 3 e 10 de julho.

Eduardo Ferro Rodrigues, presidente da Assembleia da República, associou-se ao convite institucional, que, sendo aceite, deverá dar lugar, em princípio, a uma conferência na Sala do Senado.

Greta Thunberg só viaja de comboio mas tal prerrogativa não a impediu de se deslocar até Itália e Londres, onde foi recebida nos respetivos parlamentos. Em Londres, reuniu com o presidente da Câmara dos Comuns.

Segunda greve climática estudantil

A segunda greve climática estudantil ganha, desta vez, marchas no Porto e em Coimbra. Na primeira iniciativa, a 14 de março, os ajuntamentos limitaram-se a concentrações em frente às câmaras municipais. No Porto e Coimbra, os jovens partem na sexta-feira, a partir das 10.30 horas, da Praça da República, seguem pela Avenida dos Aliados e Avenida Sá da Bandeira, respetivamente, até às portas das sedes das autarquias. Em Lisboa, a manifestação começa na Praça Marquês do Pombal e segue caminho até à Assembleia.

Nas contas mais recentes, os milhares de jovens portugueses - foram 20 mil na primeira edição - vão estar uníssono em protesto global com estudantes de mais de 1387 vilas e cidades, pertencentes a mais de 111 países.

"Éramos 15 amigos e agora temos jovens residentes em mais de 50 pontos do país a sair à rua e a pedir medidas em defesa do clima", declara Duarte Antão, um dos organizadores do protesto nacional, residente em Coimbra, a quem coube a responsabilidade de reunir a lista dos concelhos participantes, na qual constam: Beja, Marco de Canaveses, Esposende, Sabugal e Sines, entre muitos outros.

Duarte Antão, pessimista por natureza, receia que esta data em particular, impeça uma maior expressão dos jovens na rua. "É a época dos testes do secundário, dos exames na universidade", lembra. No caso de Coimbra, é também dia do regresso a casa para passar o fim de semana com a família. Pela positiva, desta vez os estudantes sabem que estão a ter eco.

"Não há nada que mais nos motive a participar do que saber que a nossa voz vai ser ouvida". Prova disso, criou-se, entretanto, uma associação de pais, "Todos pelo clima", que os apoiam; mais de 30 organismos ligados à sociedade manifestaram a sua solidariedade, e os candidatos ao parlamento europeu têm inserido a temática nos discursos políticos.

"Não acontece por ser uma consequência direta da greve pelo clima, mas esta terá contribuído para chamar a atenção", refere o jovem estudante de Direito.

Bárbara Pereira, 17 anos, aluna do secundário, coordenadora da organização do Porto, tem notado nestes últimos dois meses uma maior sensibilização da parte dos jovens para a temática. E está convencida que se está a "chamar a atenção das classes políticas".

Bárbara Pereira destaca, no entanto, que é preciso ter cuidado com as retóricas estéreis. "Temos de ser ambiciosos e pedir medidas concretas". Duarte Antão evoca a erosão na nossa costa e os fenómenos meteorológicos extremos, por trás dos grandes incêndios, para lembrar que é preciso atuar rápido e reduzir, entre outras, a emissão de gases efeito de estufa.

O Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas (IPCC) já avisou que é preciso reduzir em 45% as emissões de dióxido de carbono até 2030 para evitar que a temperatura suba 1,5 graus.