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Greve dos enfermeiros adia centenas de cirurgias

Greve dos enfermeiros adia centenas de cirurgias

Centenas de cirurgias adiadas um pouco por todo o país, devido à greve dos enfermeiros, que em alguns hospitais está a ter uma adesão de 100%, é o balanço provisório do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses.

Abrantes, Chaves, Bragança, Tondela, Viseu, Lamego, Famalicão e Figueira da Foz são alguns dos hospitais onde a adesão à greve atingiu os 100%, segundo um primeiro balanço feito pelo presidente do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), José Carlos Martins.

À porta do Hospital de São José, em Lisboa, onde a adesão à greve às cirurgias de bloco e ambulatório está a ser superior a 80%, José Carlos Martins sublinhou que "ainda não existe um balanço fechado", mas sim alguns números que demonstram o descontentamento dos enfermeiros.

Até ao momento o SEP tem já contabilizadas "centenas de cirurgias adiadas", afirmou, lembrando que todas as cirurgias de urgência estão asseguradas pelos serviços mínimos.

De acordo com o responsável, no bloco operatório central de Lisboa, que normalmente funciona com cerca de quatro dezenas de enfermeiros, apenas um profissional não aderiu hoje à greve.

Os enfermeiros iniciaram hoje o primeiro de seis dias de greve para exigir ao Governo que apresente uma nova proposta negocial da carreira de enfermagem que vá ao encontro das expectativas dos profissionais e dos compromissos assumidos pela tutela.

José Carlos Martins enumerou as principais razões da luta que vão desde querer "um diploma que reúna a legislação da carreira de enfermagem", aumentos salariais e uma categoria especifica para os enfermeiros que exercem funções de gestão.

Exigem ainda que a idade da aposentação seja antecipada: "Não é possível que os enfermeiros até aos 66/67 anos de idade consigam, com qualidade e segurança, prestar bons serviços com qualidade aos cidadãos", defendeu.

O representante dos enfermeiros diz esperar que na sexta-feira, dia em que os sindicatos se reúnem com responsáveis do Governo, se realize uma "reunião de decisão política em que seja apresentada uma proposta que dê satisfação e resposta aos justos anseios dos enfermeiros".

Só no final do encontro e perante as propostas apresentadas pelo executivo é que os enfermeiros saberão se a luta vai continuar.

Para já, na quinta-feira, haverá greve em todas as instituições de saúde do setor público que tenham enfermeiros ao serviço.

O pré-aviso de greve prevê ainda que a paralisação nacional se repita nos dias 16, 17, 18 e 19 de outubro, dia em que está marcada uma manifestação em frente ao Ministério da Saúde, em Lisboa, para exigir do Governo o cumprimento dos compromissos que assumiu no processo negocial de 2017.

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