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Há brinquedos perigosos: Dicas para saber ler os rótulos e escolher em segurança

Há brinquedos perigosos: Dicas para saber ler os rótulos e escolher em segurança

Com a aproximação do Natal sucedem-se as promoções de brinquedos e os anúncios sem fim entre a programação infantil nos canais televisivos. Mas alguns brinquedos escondem perigos, que podem causar danos na audição, ferir ou asfixiar. E nem sempre os rótulos são fiáveis. Saiba como escolher em segurança na hora de comprar.

Os números não enganam: este ano foram detetados 466 brinquedos perigosos à venda no mercado europeu, de um total de 1450 alertas emitidos (até agosto) pelo sistema de alerta rápido para produtos perigosos (RAPEX) da Comissão Europeia. Em 2017, os brinquedos motivaram 635 alertas dos 2200 produtos detetados como perigosos para o consumidor.

Só na última semana, Bruxelas identificou 29 produtos perigosos e nove são brinquedos com risco sério, na sua maioria, por conterem peças pequenas que se podem soltar e/ou serem fabricados com plástico com substâncias perigosas (DEHP) que podem causar danos no sistema reprodutivo.

"O acidente mais grave com brinquedos é a sufocação", indica Helena Sacadura Botte, técnica de segurança infantil e secretária-geral da APSI - Associação para a Promoção da Segurança Infantil.

"Acontece sobretudo com peças esféricas ou semiesféricas (com diâmetro inferior a 4,5 cm), por exemplo berlindes, bolas saltitonas, ovinhos, piões... que a criança introduz na boca, deslizam para a garganta e tapam completamente a entrada de ar. Também deve haver um cuidado enorme com peças pequenas, com tamanho inferior a 3,2 cm (tipo lego), que podem ser aspiradas para os brônquios", explica.

"Os fios ou cordões dos brinquedos, tais como telefones, brinquedos de puxar, laços... também merecem especial atenção, pois não devem ter um comprimento superior a 22 cm [que permita enrolar no pescoço]. Além disso, as crianças pequenas não devem ter acesso a brinquedos com ventosas ou pilhas (sobretudo as mais pequenas em forma de botão)", alerta a técnica de segurança infantil.

Comprar brinquedos adequados à idade da criança é um dos requisitos que não se deve descurar. Mas há muitos perigos "escondidos": pode ser fabricado com material pouco resistente ao impacto que se parte com facilidade, dando origem pedaços que perfuram e cortam; pode ter arestas ou pontas aguçadas que ferem; ser inflamável; ter risco de entalar os dedos.

Ainda recentemente, a associação ambientalista Zero alertou que brinquedos feitos com plástico reciclado à venda em Portugal estão contaminados com substâncias tóxicas.

Por isso, na hora de escolher, a informação dos rótulos ajuda a fazer a compra acertada. "O mais importante é ter a marcação CE", refere a Deco - Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor, em informação enviada ao JN.

No entanto, por si só, este símbolo "apenas garante que o brinquedo está de acordo com as normas de segurança em vigor, sendo que estas podem ser omissas em alguns aspetos ou até ser bastante tolerantes". Por exemplo, a Deco diz que há produtos que deviam ser considerados brinquedos e não são, como é o caso das joias de fantasia. Por outro lado, esta marcação é colocada pelo fabricante sem haver controlo do cumprimento das regras.

A Deco destaca ainda falhas nos rótulos que merecem atenção: alguns não têm informações em português; noutros faltam avisos de segurança importantes, como os riscos associados quando utilizados por crianças fora da idade recomendada.

"Compre os brinquedos em lojas e pontos de venda de confiança", recomenda Helena Sacadura Botte, da APSI. "É preferível a criança brincar com menos brinquedos, mas de qualidade".

» Os brinquedos devem ser apropriados à idade, ao interesse e ao nível de habilidade da criança. Brinquedos para crianças com menos de 3 anos devem ter aviso e risco associado.

Um brinquedo para uma criança de mais de oito anos pode ser perigoso para uma que tem três. Por exemplo: Crianças com até 3 anos têm tendência a colocar pequenas peças na boca e são mais propensas a engolir ou engasgar e sufocar.

» Leia os avisos de segurança e instruções de utilização. Se não existirem ou não estiverem escritos em Português, opte por outro produto.

» Passe a mão pelas arestas, pontas e bordos e certifique-se de que não existe o risco de magoarem a criança.

» Verifique se tem peças pequenas que possam ser arrancadas ou soltarem-se com facilidade e que caibam dentro de um rolo de papel higiénico vazio (por exemplo: rodas, olhos, pêlos). Em caso afirmativo, opte por outro produto. Nos bonecos com costuras certifique-se que estão bem cosidas para a criança não ter acesso ao enchimento.

» Certifique-se que as pilhas estão num compartimento fechado com parafuso e que se abre com ferramentas. As baterias e pilhas, nomeadamente as redondas em forma de botão, contêm conteúdo corrosivo e podem causar sérios danos ao tubo digestivo quando ingeridas ou sufocação.

» Brinquedos não devem ter correntes, tiras e cordas com mais de 22 centímetros de comprimento, para que a criança não consiga enrolá-lo à volta do pescoço.

» Brinquedos com pés dobráveis, como quadros escolares ou tábuas de engomar, devem ter um sistema de pernas de suporte que os impeça de fechar completamente para evitar entalar os dedos.

» Retire o brinquedo da embalagem antes de o dar à criança. Guarde a identificação e morada do fabricante ou importador: é informação necessária se ocorrer algum acidente.

» Se oferecer uma bicicleta, patins, trotinete ou skate ofereça também o capacete - não dê brinquedos incompletos.

» Evite brinquedos com vidros para crianças até 5 anos.

» Brinquedos que produzem ruídos acima de 100 decibéis podem prejudicar a audição.

» Brinquedos elétricos podem causar queimaduras. Brinquedos ligados em tomadas, com elementos de aquecimentos, com pilhas e baterias, não são aconselhados para crianças com menos de oito anos.

» Os materiais utilizados na fabricação dos brinquedos devem ser resistentes, não tóxicos e não inflamáveis.

» Faça uma revisão periódica aos brinquedos e não deixe a criança brincar com os que estiverem danificados.

» Evite que as crianças mais novas utilizem os brinquedos das mais velhas, quando podem representar um risco.

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