O Jogo ao Vivo

Saúde

Há primeiras consultas médicas que vão poder durar uma hora

Há primeiras consultas médicas que vão poder durar uma hora

Ordem dos Médicos define tempos padrão das consultas por especialidade para proteger a relação médico-doente. Documento está em discussão pública.

O tempo de duração das consultas médicas vai aumentar. Há especialidades em que as primeiras consultas, sejam no setor público, privado ou social, vão poder durar uma hora ou até mais. Cumpridos dois anos de mandato, o bastonário da Ordem dos Médicos (OM) avança com uma das bandeiras do seu programa: a definição dos tempos padrão para as consultas.

Apresentado no Dia do Doente, o documento, que resulta dos pareceres dos colégios de especialidade, está em discussão pública durante 30 dias e o texto final será publicado em "Diário da República" como regulamento da Ordem. Miguel Guimarães garante que "os tempos padrão são para cumprir" porque está em causa a segurança clínica.

O objetivo principal é proteger o doente e o exercício da profissão, explicou o bastonário, considerando que atualmente o tempo que o médico tem para conhecer um doente e o seu historial clínico ou simplesmente "dar-lhe atenção" está ameaçado por objetivos de ordem política e económica e por barreiras tecnológicas, informáticas e burocráticas.

Salvo algumas exceções, em regra, as consultas são marcadas de 15 em 15 minutos e muitas vezes acabam por ser sobrepostas. "A pressão sobre os médicos, que leva a que muitas consultas tenham tempos excessivamente curtos, é ainda maior no público do que no privado", diz Miguel Guimarães.

Para o bastonário, o problema deve-se à necessidade que os Governos e Ministérios da Saúde têm de apresentar relatórios e números que indiquem um aumento de produção no Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Precisos mais médicos

Uma pressão que surgiu nos tempos da troika e que "tem vindo a agravar-se". Miguel Guimarães não tem dúvidas de que, para cumprir estes tempos e para manter o atual número de consultas no SNS, será necessário um reforço de médicos.

E porque é tão importante este tempo? "A evidência científica assegura que a relação médico-doente, cultivada e nutrida nas condições ideais, tem impacto direto e positivo na adesão à terapêutica, nos resultados obtidos, na redução do sofrimento e aumento do bem-estar, podendo mesmo reduzir a necessidade de recurso a procedimentos e meios complementares de diagnóstico e terapêutica mais ou menos invasivos", diz o documento, disponível no site da OM.

Os tempos variam consoante a especialidades e contemplam vários indicadores, como o tipo de consulta (primeira ou subsequente), a complexidade do doente e doença, a história clínica, o exame físico, a explicação da situação clínica ao doente e dos exames e propostas terapêuticas, entre outros. O tempo para usar os sistemas informáticos e a presença de médicos internos ou estudantes na consulta são outras variáveis tidas em conta.