Macedo de Cavaleiros

Homenagem que foi um "obrigado" às vítimas do héli do INEM

Homenagem que foi um "obrigado" às vítimas do héli do INEM

A população de Macedo de Cavaleiros juntou-se, este sábado, em massa à homenagem que o município prestou à tripulação do héli do INEM que morreu, em dezembro, em Valongo.

Uma homenagem que "não é mais do que dizer um obrigado", destacou a secretária de Estado da Saúde, Raquel Duarte, que estava visivelmente emocionada.

"Não vamos tirar lágrimas, nem anular a tristeza das famílias, mas vamos dizer-lhes que nos lembramos deles e obrigado", disse, no final de uma homenagem da Câmara de Macedo de Cavaleiros, a título póstumo, aos quatro profissionais da equipa de socorro do helicóptero do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) que morreram quando o aparelho se despenhou na zona de Valongo, no dia 15 de dezembro do ano passado.

A secretária de Estado da Saúde lembrou o trabalho dos profissionais que fazem serviço nos helicópteros do INEM "que estão 24 horas por dia, sete dias por semana disponíveis, à nossa disposição, e muitas vezes vão sem situações arriscadas, a qualquer lugar hora, faça chuva ou faça sol, lutando contra o tempo, contra a gravidade da situação e contra os locais improváveis onde alguns acidentes ocorrem".

"Os riscos são reconhecidos mas ninguém acredita que alguma vez eles vão acontecer. Foi um dia fatídico para todos nós. Esta homenagem não é mais do que dizer um obrigado a estas pessoas. Temos muito orgulho no que fizeram por nós e estarão sempre na nossa memória", sublinhou.

O louvor foi atribuído sob a forma da Medalha de Mérito Municipal de Valor e Altruísmo, Grau Ouro, entregue a familiares das vítimas do Héli3 que estava estacionado em Macedo de Cavaleiros e que saiu para uma emergência, acabando por cair no regresso à base matando todos os ocupantes, nomeadamente os dois pilotos, um médico e uma enfermeira.

A cerimónia foi carregada de emoção e deixou muitos de lágrimas nos olhos, quando foi descerrada a lápide com os nomes e as fotografias das vítimas no heliporto municipal.

O presidente da Câmara, Benjamim Rodrigues, lembrou que a luta da região para manter o helicóptero em Macedo de Cavaleiros "foi grande". Este héli já fez mais de 2900 missões.

Já estava prevista

Na mesma cerimónia foram ainda condecorados o próprio INEM e Filipe Serralva, médico que faz serviço de emergência no helicóptero e que muito se empenhou pela permanência do serviço de emergência aérea em Macedo de Cavaleiros.

A Câmara de Macedo de Cavaleiros já tinha decidido homenagear o INEM antes do acidente "pelo espírito de missão da equipa do Heli3", mas as circunstâncias fatídicas ditaram que "fosse realizada outro tipo de cerimónia", esclareceu o presidente do município, Benjamim Rodrigues, também ele médico.

O autarca defendeu que a assistência helitransportada é fundamental num território como o Nordeste Transmontano "Tudo isto acarreta uma carga emocional fortíssima, o momento é de um simbolismo extremo para populações e comunidades como a nossa que estão tão distantes do poder central e são demograficamente deprimidas. Precisamos de uma atenção especial, porque a nossa população é envelhecida, sujeita a todo o tipo de doenças, e o transmontano o que mais preza é a saúde. Por isso, esta carga emotiva tão forte nesta homenagem", destacou o autarca, lembrando que a comunidade do seu concelho "vivia o dia a dia da equipa do Heli3" e por isso "todos sofremos com este acidente".

A família das vítimas escusou-se a prestar declarações e a comentar a homenagem, ainda que um membro tenha admitido que continuam sem receber qualquer indemnização e sem saber do processo relacionado com o inquérito ao acidente, como o JN escreveu.

A secretária de Estado disse estar a acompanhar a situação. "Da parte do INEM está tudo organizado, as seguradoras estão a tratar dos assuntos com as famílias e ainda hoje perguntei o que é que podemos dizer para os ajudar", esclareceu.

Dois inquéritos
Decorrem dois inquéritos: um do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF) e outro por um juiz nomeado pelo primeiro-ministro.

Colisão com antena
O relatório preliminar concluiu que a queda ficou a dever-se a uma colisão com uma antena e apontou várias falhas no envio de meios para o local.