Saúde

Hospitais já corrigiram parte das falhas detetadas pela Inspeção

Hospitais já corrigiram parte das falhas detetadas pela Inspeção

O Ministério da Saúde assegura que os hospitais já corrigiram parte das falhas identificadas pela Inspeção-geral da Saúde ao nível da segurança nos serviços de internamento em alguns hospitais.

"A informação que temos é que parte do que era corrigível em 60 ou 90 dias já foi corrigido. As outras situações, o que demora mais tempo, como sistemas informativos, estão em curso e serão executadas", afirmou esta quarta-feira à agência Lusa o secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Francisco Ramos, no final de uma comissão parlamentar.

O jornal "Público" revela esta quarta-feira que a Inspeção-geral das Atividades em Saúde (IGAS) detetou falhas de segurança nos serviços de internamento de três centros hospitalares e de um hospital.

Problemas nos sistemas de videovigilância e nas portas de fecho automático nos serviços de obstetrícia e pediatria e insuficiente controlo no acesso às instalações, nomeadamente aos pisos de internamento, são algumas das falhas detetadas em auditorias realizadas aos centros hospitalares e universitários de Coimbra, Porto, Algarve e ao hospital de Évora.

Nestas auditorias, a IGAS tentou perceber o cumprimento de um despacho de 2008 que impunha novas regras de segurança a partir de 2009, depois de dois casos de rapto de bebés do Hospital de Penafiel.

Para o secretário de Estado Adjunto, estes casos detetados são "uma manifestação de que o sistema funciona, audita e encontra as desconformidades".

Numa resposta escrita enviada à Lusa, o Ministério da Saúde afirma que está a acompanhar a situação "no sentido de garantir que os hospitais vão cumprir as recomendações da IGAS".

"Os hospitais em causa estão a adotar as medidas corretivas necessárias para colmatar as falhas identificadas", acrescenta o Ministério.

Ordem dos Médicos diz que a insegurança nas maternidades é a "ponta do icebergue"

A Ordem dos Médicos veio já considerar, a propósito destas auditorias, que as falhas detetadas são "a ponta do icebergue", afirmando que o SNS "trabalha na linha vermelha em todas as frentes".

Para o bastonário dos médicos, Miguel Guimarães, estas falhas de segurança são "o espelho do desinvestimento de sucessivos Governos" no Serviço Nacional da Saúde e, "infelizmente, vão ao encontro do que a Ordem dos Médicos tem vindo a dizer sucessivas vezes".

"O Serviço Nacional de Saúde trabalha na linha vermelha em todas as frentes. As deficiências são gritantes nas várias áreas, dos recursos humanos, aos equipamentos, passando pelo clima de insegurança que se sente nos nossos hospitais e centros de saúde", lamenta em comunicado o bastonário da Ordem dos Médicos.

Miguel Guimarães sublinha que, "se o Ministério da Saúde não está a cumprir uma legislação que soma mais de dez anos e que diz respeito à segurança dos recém-nascidos na maternidade, não é difícil imaginar o que estará a acontecer de forma transversal, ainda mais em áreas que por ventura não tenham legislação específica".

No seu entender, "a insegurança nas maternidades é a ponta do icebergue" e questiona: "se não zelamos pela segurança das nossas crianças por quem zelamos?"