Castelo Branco

Polícia investiga incêndios. Fogo na Sertã reacendeu

Polícia investiga incêndios. Fogo na Sertã reacendeu

Os órgãos de polícia criminal estão a investigar os incêndios que deflagram sábado no distrito de Castelo Branco. Começaram "separados por poucos minutos".

"Estes incêndios tiveram condições meteorológicas muito difíceis, condições orográficas favoráveis à sua projeção, muito rápida e circunstâncias que estão a ser investigadas pelos órgãos de polícia criminal", afirmou Eduardo Cabrita em declarações aos jornalistas na sede da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), em Carnaxide, concelho de Oeiras, distrito de Lisboa.

O ministro da Administração Interna sublinhou que, "certamente, as autoridades judiciárias darão a devida atenção no momento próprio, dado que se iniciaram cinco incêndios com espaços bastante curtos e que começaram separados por poucos minutos".

Questionado se terá havido mão criminosa nos incêndios, afirmou que não cabe ao Governo nem à Proteção Civil investigar esta matérias, mas sim aos órgãos de polícia criminal. "Há sim, apontado por todas as entidades no local, pelos autarcas, pelos comandantes de bombeiros, uma estranheza" de como é que começam entre as 14.30 e as 15.30 horas cinco incêndios de "dimensão significativa numa zona muito próxima". Mas, sublinhou, "o que é fundamental neste momento é a resposta à ocorrência de Proteção Civil".

Sobre a atuação do Sistema Integrado de Redes de Emergência de Segurança de Portugal (SIRESP), o ministro garantiu que "tem estado totalmente operacional", adiantando que foram colocadas na zona unidades de redundância que não chegaram a ser utilizadas.

De acordo com o ministro, o Governo tem estado a acompanhar "de perto" os incêndios iniciados nos concelhos da Sertã e Vila de Rei. Eduardo Cabrita manifestou a sua "total solidariedade" com as populações das zonas mais diretamente abrangidas pelos incêndios e deixou uma "palavra de reconhecimento" pelo "trabalho muito empenhado, muito profissional" de todos os agentes de proteção civil e pela "forma exemplar" como todas as estruturas se posicionaram no terreno.

Número de feridos sobe para 20

Subiu para 20 o número de feridos nos incêndios que lavram desde a tarde de sábado no distrito de Castelo Branco e que se propagaram a Mação, distrito de Santarém.

Em declarações aos jornalistas, Eduardo Cabrita deu conta de oito bombeiros e 12 civis feridos na sequência dos incêndios. O governante acrescentou que dos 20 feridos apenas um dos civis se encontra na unidade de queimados do Hospital de São José, em Lisboa. Os restantes são todos feridos ligeiros, sobretudo devido a "inalação de fumos e entorses", referiu.

O presidente da República visitou o civil que se encontra no Hospital de São José e disse que "a situação está sob controlo". Numa declaração à agência Lusa, Marcelo Rebelo de Sousa referiu que este ferido, que se encontra em estado grave, "estava a ser submetido a exames clínicos e a ser muito bem acompanhado".

Fogo na Sertã reacendeu

O incêndio no concelho da Sertã reacendeu esta tarde depois de sido dado como dominado durante a madrugada, continuando os fogos no distritos de Castelo Branco a mobilizar mais de mil bombeiros e 15 meios aéreos, segundo a Proteção Civil.

A página da internet da ANEPC registava, às 16.55 horas, sete incêndios florestais em curso em Portugal continental, que estão a ser combatidos por 1.232 operacionais, 362 viaturas e 22 meios aéreos.

Depois de ter sido dado como dominado durante a madrugada, o fogo que começou há mais de 24 horas no concelho da Sertã, reacendeu hoje à tarde e no local estão 295 bombeiros, 91 viaturas e uma aeronave.

Maioria do fogo de Vila de Rei dominado

Cerca de 85% do fogo de Vila de Rei "está já dominado", mantendo-se pequenos fragmentos da frente de incêndio, afirmou o comandante do Agrupamento Centro Sul, realçando que a tarde vai pôr os meios à prova.

Um total de "85% do perímetro [do incêndio] está já dominado, contudo está neste momento com muitas reativações, fruto do aumento da temperatura e da rotação do vento", o que acaba por gerar "uma pressão maior" por parte dos operacionais para conseguir manter o fogo dentro da área dominada, disse Belo Costa, que falava aos jornalistas numa conferência de imprensa que decorreu na Escola Secundária da Sertã.

Apesar da evolução favorável no combate (às 8 horas 60% do perímetro estava dominado), o comandante do Agrupamento Centro Sul salientou que vai ser "uma tarde de intenso trabalho" e, com o agravar dos indicadores meteorológicos, os meios no terreno vão ser postos "à prova".

"Vila de Rei está a exigir agora de nós uma atenção redobrada e um redefinir de estratégia", com reposicionamento de meios para áreas que antes não preocupavam as autoridades, explicou, referindo que estão no terreno cerca de 800 operacionais, apoiados por quase 250 meios terrestres e 14 meios aéreos.

As pequenas parcelas da frente de incêndio que estão por resolver são áreas em que há reativações por força do combustível e da orografia, normalmente localizadas em sítios de muito difícil acesso, aclarou.

De momento, a estrada nacional 348 é a única via principal interdita, não por aproximação das chamas, mas por prevenção de acidentes, por estarem ali estacionadas várias viaturas de combate em "trabalhos de consolidação e combate a reativações", referiu Belo Costa.

União Europeia a postos para ajudar

O Comissário Europeu para a Ajuda Humanitária e Gestão de Crise, Christos Stylianides, manifestou através do Twitter que está a acompanhar a situação portuguesa de perto e que a União Europeia está pronta para oferecer mais ajuda.

"A pedido de Portugal, estamos a produzir mapas satélite via Copernicus EMS para os incêndios florestais que afetam a região de Castelo Branco", escreveu o comissário.

Forças Armadas vão fornecer refeições em Vila de Rei

As Forças Armadas reforçaram esta manhã o apoio à Proteção Civil no combate aos incêndios, tendo deslocado para Vila de Rei uma cozinha de campanha do Exército e alimentos para assegurar refeições a pelo menos 600 pessoas. "Este apoio surge na sequência de um pedido da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil" devido aos incêndios que lavram desde a tarde de sábado no distrito de Castelo Branco, refere em comunicado o Estado-Maior General das Forças Armadas (EMGFA).

Segundo o EMGFA, os géneros alimentares enviados vão "permitir assegurar a refeição, já a partir do almoço de hoje, a pelo menos 600 pessoas".

No âmbito do apoio à Proteção Civil, as Forças Armadas já tinham enviado no sábado para Vila de Rei quatro máquinas de rasto, três do Exército com 15 militares, e uma da Força Aérea com mais cinco militares.