Estudo

Indisciplina está a aumentar nas escolas

Indisciplina está a aumentar nas escolas

A indisciplina nas escolas portuguesas tende a aumentar, de acordo com o mais recente estudo do blogue ComRegras, que tem o apoio da Associação Nacional de Diretores.

No ano letivo de 2015/16, houve 11.127 participações disciplinares, numa amostra de 47 agrupamentos e 53.664 alunos. Registaram-se ainda 6.541 medidas corretivas e 1.496 suspensões.

Alexandre Henriques, autor do inquérito, revelado esta segunda-feira, garante que estes dados "são a ponta do icebergue", e que esta é uma realidade a crescer. "Se extrapolássemos para a totalidade dos agrupamentos, as participações chegariam a 206.055", afirma. No ano passado, o levantamento contou com 38 agrupamentos e quando se fez esta extrapolação, as queixas ficavam nas 200 mil", garante.

O problema "é muito grave", avança este professor, até porque "basta um aluno para boicotar uma aula". Embora a maioria das participações seja relativa a atos entendidos como "pequena indisciplina" - tais como conversas paralelas, bocas, piropos, interromper, ou atirar papeis - isso "é o suficiente para se atrasar a matéria". Recentemente, uma outra investigação evidenciava o facto de os professores passarem 40% do tempo da aula com questões relativas ao mau comportamento.

O estudo mostra ainda que, sendo mais de onze mil as participações, o número de discentes alvo das mesmas fica-se nos 4.417. Ou seja, os alunos tendem a reincidir e muitos têm mesmo várias participações.

Escola é reflexo da comunidade

Para Manuel Pereira, da Associação Nacional de Dirigentes (ANDE), há várias causas para o fenómeno. Antes de mais, "cada escola é o reflexo da sua comunidade e nas zonas suburbanas, onde a pressão demográfica e social é maior, a escola também vai sofrer essa pressão". O levantamento do Com Regras mostra, precisamente, que "são as escolas dos grandes centros urbanos" as que apresentam problemas mais sérios, embora esta seja "uma realidade transversal", mais frequente entre os alunos do 3.º Ciclo.

O presidente da ANDE refere também que "hoje registam-se mais situações onde os alunos não respeitam os professores, porque não respeitam os pais". Aquele responsável acrescenta que as novas tecnologias nem sempre ajudam, pois os jovens "filmam-se, trocam mensagens na aula, cruzam boatos, e nem sempre a escola consegue controlar".

Filinto Ramos Lima, da Associação Nacional de Diretores (ANDAEP), concorda e entende que é importante esclarecer que "muitas vezes, quando um pai vai à escola tirar satisfações com o professor, aquele não está a ajudar o próprio filho, bem pelo contrário". Ramos Lima recorda que "a indisciplina gera insucesso". Segundo o ComRegras, foram mais de seis mil as medidas corretivas para a pequena indisciplina, e são mais de 1400 as suspensões (para atos graves, como violência física, por exemplo). Mas isto em apenas 47 agrupamentos.

Alexandre Henriques propõe a criação de "um sistema informático que recolha estes dados em todas as escolas", "desburocratizar o estatuto do aluno" e apostar num "regime de co-docência".