Incêndio

IPMA afasta queda de raios como causa do fogo de Pedrógão Grande

IPMA afasta queda de raios como causa do fogo de Pedrógão Grande

A trovoada seca chegou a ser apontada como possível responsável do incêndio em Pedrógão Grande, mas o IPMA vem agora desmentir a teoria.

Não caíram raios no local e à hora em que começou o fogo.

A conclusão é do relatório do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) enviado ao primeiro-ministro na sexta-feira e disponibilizado este sábado no portal do Governo.

No documento de 120 páginas, o IPMA refere que as descargas de energia nuvem-solo (o tipo de descarga que pode causar incêndios) mais próximas da zona do incêndio foram detetadas apenas depois das 17.37 horas e que, à hora e no local em que o incêndio deflagrou - às 14.43 horas, na aldeia de Escalos Fundeiros -, não havia sequer o tipo de nuvens que gera trovoadas.

"Perto deste local, apenas se detetaram descargas nuvem-solo às 17:37, 18:53 e 20:54", lê-se.

"Uma vez que a eficiência da rede é de cerca de 95% para as descargas nuvem-solo, podemos concluir que existe uma probabilidade baixa (mas não nula) da ocorrência de uma descarga nuvem-solo na proximidade do local de deflagração do incêndio", lê-se no resumo do documento, também publicado no site do Governo.

O relatório vem, assim, desmentir a informação inicialmente avançada pela Polícia Judiciária que dava conta de "um raio de trovoada seca" ter rachado uma árvore e ter estado, assim, na origem do incêndio na aldeia de Escalos Fundeiros.

No dia 17 de junho, ocorreu uma grande intensificação das chamas entre as 19.20 e as 20.40 horas. A pluma do incêndio triplicou a sua dimensão no espaço de uma hora e vinte minutos, tendo passado dos cinco para os 14 quilómetros de altitude. O IPMA justifica o fenómeno com a ocorrência de mais do que um "downburst" - vento de grande intensidade que se move verticalmente em direção ao solo e que, quando atinge a superfície terrestre, dispara para todas as direções, a partir desse ponto.

Neste novo relatório, o IPMA sublinha a informação que já tinha divulgado há dias de que o fenómeno "downburst" foi o que tornou o incêndio avassalador, não tendo, no entanto, estado na sua origem.

Na síntese do relatório, Jorge Miguel Miranda, diretor do Conselho Diretivo do IPMA, escreve que "a interação entre o escoamento divergente - nome que se dá às tais rajadas de vento causadas pelo "downburst" - (...) e o incêndio entretanto iniciado conduziu a uma grande amplificação da pluma do incêndio, em termos de extensão vertical e velocidade de propagação".

"O incêndio de Pedrógão deflagrou e desenvolveu-se num quadro meteorológico caracterizado por uma situação de calor e secura extrema, instabilidade atmosférica com ocorrência de trovoadas, sem precipitação na região e rajadas intensas de vento", lê-se no documento pedido por António Costa, no rescaldo do incêndio que acabou por causar a morte a 64 pessoas.