Festa do Avante

Jerónimo disponível para mais "avanços" mas quer "outra política"

Jerónimo disponível para mais "avanços" mas quer "outra política"

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, advertiu que a luta dos trabalhadores "não é delegável" mas "reclama compromisso das forças políticas", assumindo o "compromisso" do partido.

Intervindo na abertura da 42.ª edição da Festa do Avante!, que assinala o reinício do ano político para os comunistas, Jerónimo de Sousa disse saber que "a luta não é delegável a quem quer que seja" mas "reclama o compromisso das forças políticas".

"E esse compromisso, o PCP assume-o. Compromisso tanto mais duradouro e concretizável quanto mais força tiver o PCP, com a garantia de que essa opção, dando mais força ao PCP, dá mais força a quem a dá", disse, perante os aplausos dos militantes, na Quinta do Cabo, Amora, Seixal.

No seu discurso, rodeado pelos membros da direção do partido, Jerónimo de Sousa defendeu que a "vida mostrou" que sempre que o "governo minoritário do PS se entendeu com a direita perderam os trabalhadores, o povo e o país".

Ao contrário, sustentou, "sempre que convergiu com o PCP houve avanços, houve reposição e conquista de direitos".

"Ouvir choros e lamentos do PSD e do CDS face à situação dos serviços públicos é, como diz o nosso povo, 'atirar a pedra e esconder a mão', procurando rasurar da memória as responsabilidades que também têm na sua degradação", acusou.

Com críticas aos "governos de turno" que "rodaram durante quatro décadas", Jerónimo de Sousa manifestou preocupação por o Governo PS ter "soçobrado e acordado com a direita matérias como a caducidade da contratação coletiva, a precariedade e a desregulação dos horários", e ainda em relação à transferência de competências para as autarquias.

Na situação atual, em que estão postos em causa os direitos à saúde, à educação, à cultura, à habitação, disse, exige-se uma "outra política, uma política alternativa, patriótica e de esquerda e um Governo capaz de a concretizar".

Um dia depois de o Governo anunciar mais investimento público para a ferrovia, Jerónimo de Sousa considerou que a situação nos transportes públicos "expõe de forma nua e crua as consequências das políticas de desinvestimento nas infraestruturas".

Jerónimo de Sousa criticou a "liquidação do aparelho produtivo na EMEF [empresa de manutenção do equipamento ferroviário]" e da "grande empresa SOREFAME que produzia carruagens que hoje tanta falta fazem".

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